Todos a Bordo – Diário de um Pandemônio (blog coletivo com atualização diária)

7 DE AGOSTO

Pré-candidato 2020

Um novo desafio!!

Eu, FREDERICO MORIARTY, comunista, esquerdista, ecochato, escritor, blogueiro, professor de escola pública e privada, católico, fanático por hambúrguer, cachorreiro, pai de gêmeas, venho anunciar PUBLICAMENTE que, após alguns encontros, reuniões, debates e lives (sempre por vídeo online), feitos com meus amigos, militantes, familiares e, após a aprovação da minha esposa e das minhas filhas e analisar cada proposta, cada plataforma de trabalho, além de refletir muito sobre o grupo de apoiadores e ideologias afins, decidi, mesmo perante a dificílima tomada de atitude e luta de minha parte, não voltar mais atrás à escolha feita e buscar de forma ética, correta e transparente de atingir os objetivos prometidos. Pelo bem de toda a Nação.

Hoje, 7 de agosto de 2020, anuncio de forma IRREVERSÍVEL, nesta e noutras redes sociais a minha PRÉ-CANDIDATURA a saborear um delicioso churrasco na casa de todos vocês, logo após o término da pandemia. Não pedirei muito, apenas uma boa picanha, linguiças, um ‘queijim’ de coalho, cerveja, cocão e maionese. Me informem a data no privado ou no zap para eu organizar a agenda de campanha.

Gratos pela atenção!
HASTA LA VICTORIA!!

P.S.: o tom humorístico de hoje foi proposital, afinal amanhã será um dia trágico em nosso país.


6 DE AGOSTO DE 2020

Réquiem de Mozart: 100 mil mortos no ex-país do samba e da alegria

MARCO MERGUIZZO

A cena épica e magistral do filme Amadeus (1984), do diretor Milos Forman

5 DE AGOSTO DE 2020

96.096 brasileiros mortos: o conto do vigário em tempos de Covid-19


4 DE AGOSTO DE 2020

O fascínio da comunicação multimídia bem antes da era digital

MARCO MERGUIZZO

Embora vivamos nos dias de hoje em plena era digital multimídia, e completamente dependentes de computadores e celulares, sobretudo nestes tempos de pandemia, em que diversos meios de comunicação tecnológicos estão interconectados para transmitir mensagens, mesclando texto, som, imagens fixas e animadas, tais recursos não eram bem uma novidade na Itália de 400 anos atrás.

Sim, é vero. Quer um exemplo do que estou dizendo? Dá uma espiada no vídeo, logo abaixo, que eu vi nestes dias na rede mundial de computadores. Engenhosamente surpreendente e poética, a escultura de ondas cinéticas construída pelo americano Ross McSweeny dá a exata noção do balanço de um barquinho deslizando sobre o mar, em meio à dança acrobática de um bando de golfinhos. Simplesmente fascinante.

Mas o impressionante é saber que, no século XVII, Bernardo di Buontalenti (1531-1608) foi o precursor do teatro mecanizado, utilizando dispositivos como este. Em pouquíssimo tempo, esse tipo de recurso cenográfico chegou à ópera: no primeiro teatro construído especificamente para o gênero, o Teatro di San Cassiano, em Veneza, já se encontrava equipado para tais proezas da mecânica.

Os pioneiros da ópera, como Francesco Cavali (1602-1676) e Antônio Cesti (1623-1669), utilizaram estes recursos ao máximo, transformando a ópera em um grande espetáculo multimídia desde aquela época, em um passado já bem, bem distante.


3 DE AGOSTO DE 2020


2 DE AGOSTO DE 2020

Limites do crescimento

FREDERICO MORIARTY

O casal de cientistas Donella e Dennis Meadwos elaborou uma série de gráficos, em 1972, no Massachussets Institute Tecnology, o renomado MIT.

Trabalhando com dados da população mundial, recursos naturais disponíveis, crescimento econômico e poluição atmosférica, eles simularam o futuro até 2100. Para a equipe que tabulou centenas de milhares de dados nos anos 70 o pressuposto inicial era: os recursos naturais são finitos. Dez entre dez economistas criticam a tese por esse motivo. O que nos faz ter mais medo ainda dos economistas. O super-computador simulou o futuro. Os dados são impressionantes:

  1. Entre 2010 e 2020, a temperatura da Terra iria aumentar de 0,5 a 1° C (confirmado).
  2. Por volta de 2035 a população de 8 bilhões começa a regredir (as projeções confirmam tal previsão).
  3. O ano de 2020 será o início do colapso econômico (dito em 1972).
  4. O abandono sucessivo da educação e saúde levará a uma queda brutal na qualidade de vida até 2050.
  5. Em 2072, o PIB será metade do atual. A principal causa de morte será a poluição.
  6. A população em 2100 será de 2 bilhões, a mesma de 1900. Fome, guerra, peste, desigualdade, poluição atmosférica serão os culpados.
  7. O caos mundial ocorrerá entre 2050 e 2070.

Como evitar? Distribuição de renda, uma sociedade de consumo consciente e que abandone os combustíveis fósseis, investimentos massivos em saúde e educação e controle do crescimento populacional. Principal: um desenvolvimento sustentável. Seis meses após o início da pandemia, o otimismo parece impossível.



1 DE AGOSTO DE 2020

Aos ex-amigos, cúmplices da barbárie

Não sei quando tudo isso começou. Quando foi que pessoas que eu gostava, convivia, conversava afetuosamente e, em alguns casos, até admirava pelo exercício talentoso de seus ofícios, se transformaram em seres irracionais, irresponsáveis e levianos, defensores de ideias autoritárias, mesquinhas, rasas , preconceituosas, medievais e, em muitos casos, até fascistas.

Quando foi, afinal, que pessoas que tinham uma conduta social equilibrada e pareciam olhar o mundo pela mesma janela que você – cada um à sua maneira, claro – viraram esta coisa esquisita que já não reconheço como próxima de alguma civilidade? (Por José Eduardo Rodrigues)


31 DE JULHO DE 2020

Seria um filme de horror

Foto: Arquivo

CARLOS ARAÚJO

A Cinemateca Brasileira, um patrimônio do audiovisual e da nossa cultura, pede socorro e não acontece nada. Se a história de abandono da Cinemateca fosse traduzido em roteiro, daria um filme de horror em virtude do descaso do governo federal com o patrimônio público e cultural brasileiro. E o pior é que nada acontece, como se o Brasil estivesse entregue ao nada.

A situação dramática da instituição foi matéria de reportagem exibida nesta sexta-feira (31) na edição do jornal Bom Dia São Paulo da Rede Globo. Na reportagem, o professor da USP Carlos Augusto Calil descreve a gravidade do problema: “A situação é gravíssima. Desde o início do ano a situação ficou fora do controle, as contas e serviços não são pagas, a conta de luz, a conta de manutenção elétrica, a empresa de segurança, os salários dos funcionários estão sem cobertura desde abril. Então a situação é de colapso iminente.”

Na mesma reportagem, o procurador geral da República, Gustavo Torres, informa: “O Ministério Público Federal tentou esperar que a União apresentasse soluções emergenciais para um problema que vem se arrastando pelo menos desde o começo deste ano, mas a União demorou, a União parece não se preocupar em deixar a Cinemateca numa situação de semi-abandono.

A Cinemateca precisa de medidas que pelo menos a resguardem de incêndio, de degradação, de furtos. Então o Ministério Público precisou pedir ao Judiciário medidas judiciais enquanto uma solução de longo prazo e sustentável não se impõe.”

A Cinemateca Brasileira é órgão de responsabilidade do governo federal. Obteve grande visibilidade na mídia quando neste ano a atriz Regina Duarte, ao deixar o seu cargo na “cultura” do governo federal, achou que ia dirigir a Cinemateca e o plano ficou frustrado.

E pensar que o embrião da Cinemateca foi idealizado na década de 1940 por iniciativas dos intelectuais Paulo Emilio Saulo Gomes, Décio de Almeida Prado e Antonio Cândido de Melo e Souza, personalidades que cravaram seus nomes e suas obras como símbolos da história e da memória cultural do Brasil.

O site da Cinemateca informa que a instituição é responsável pela preservação e difusão da produção audiovisual brasileira. Tem o maior acervo da América do Sul, formado por cerca de 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema, como fotos, roteiros, cartazes e livros, entre outros.

O histórico da Cinemateca já registra a ocorrência de três incêndios em épocas passadas. E acrescenta que de 2008 a 2013 o órgão passou por grande impulso na preservação e difusão de acervos, bem como da infraestrutura, “graças a recursos investidos pelo antigo Ministério da Cultura, em parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca”. Esse registro mostra que a atenção ao órgão é possível desde que haja vontade e atuação responsável.

Será que o governo federal aguarda o momento de assumir de fato a obrigação de socorrer a Cinemateca somente quando isso não for mais possível? Será que a Cinemateca vai merecer a atenção do governo federal somente se ela tiver o mesmo fim do Museu Nacional do Rio, destruído por um grande incêndio em 2018?

E a sociedade brasileira, por que se limita a lamentar a situação e a assistir passivamente ao abandono da Cinemateca como quem se dá por satisfeito com os sentimentos de indignação e as notas de repúdio? A inércia e a covardia de grande parte da sociedade brasileira também compõem a tragédia que explica a destruição da cultura e de outras áreas prioritárias no abismo e no desastre em que o Brasil se transformou atualmente.

Para quem despreza o cinema, a cultura, as artes de forma geral, basta lembrar que Shakespeare e Cervantes representam mais para a humanidade e a memória do mundo do que qualquer governo. Que Machado de Assis e Guimarães Rosa, assim como o Cinema Novo e a Bossa Nova, fazem muito mais pela imagem do Brasil no mundo do que qualquer política externa de qualquer governo.

Que o cinema é um dos pilares de construção da identidade dos povos. Que a arte, além de sua importância social, política, econômica, turística, é tão importante para o sentido da vida quanto o ar que respiramos. Abraçar a causa da Cinemateca somente depois que ela for destruída por um incêndio ou coisa parecida será a nossa confissão de culpa. Vibramos com as selfies diante de museus na Europa e nos Estados Unidos, mas desprezamos os nossos patrimônios culturais aqui no Brasil. E quando eles são destruídos nos incêndios e viram cinzas, então vertemos lágrimas sobre as chamas, tarde demais.

Por enquanto, o roteiro da história de abandono da Cinemateca Brasileira vinculado a um filme poderia ser inspirado em “Esperando Godot” de Samuel Beckett: espera-se uma solução, mas não se sabe como ela virá, nem se virá, nem quando. E Joseph Conrad encerraria melhor o roteiro do abandono da Cinemateca com a sua famosa descrição: “O horror!, o horror!”


30 DE JULHO DE 2020

O trenzinho de Villa-Lobos e a viagem de um pequeno caipira

MARCO MERGUIZZO

Foto: Arquivo Pessoal

Os trens da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) fizeram parte da vida de muita gente na região de Sorocaba (não por acaso ganhou este nome de batismo) e da minha, em especial.

Como numa viagem no tempo, relembrei com nostalgia os bons tempos da minha infância, nos já longínquos anos 1970, em que embarcava feliz, vez ou outra, rumo a São Paulo com o meu pai, que diariamente seguia até a capital para trabalhar no excelente Hospital Sorocabana, no bairro da Lapa, hoje infelizmente fechado como muitos hospitais públicos por todo o país, a bordo dos confortáveis vagões de passageiros da EFS.

Tudo veio à minha mente quando reouvi no Youtube o Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos (1887-1959), composição memorável interpretada pela Orquestra da Osesp, cujo vídeo reúne os músicos, nestes tempos de isolamento social, gravados em suas próprias casas.

O maior compositor clássico brasileiro compôs o ciclo de nove “Bachianas Brasileiras” nas décadas de 1930 e 1940. Ele mesmo dizia que sua intenção era “universalizar a música de Bach através do folclore”. Muitas delas se tornaram parte incontornável do repertório.

Desenho / Crédito: Baptistão

Em boa medida, elas definem o que pode ser a música brasileira de concerto – aos olhos do mundo e de nós mesmos. O Trenzinho do Caipira, das “Bachianas nº 2”, toca num nervo de nossa identidade mais funda. Ao mesmo tempo arcaica (o caipira) e moderna (o trem), nos faz vibrar com a ideia de uma cultura brasileira, calcada na tradição e no conhecimento, mas também na experiência popular.

Villa-Lobos, desde sempre, tem sido um mestre-pai-irmão-amigo de todos nós. Sua música faz parte da história da Osesp, jamais deixará de estar presente nos concertos. E não dá para tocar essa música sem lembrar que estamos na antiga Estação Sorocabana, hoje Sala São Paulo, e ao lado da Estação Júlio Prestes.

O “Trenzinho” é um verdadeiro emblema sonoro da Orquestra e da Sala SP. Interpretado pelos músicos da Casa, cada um na sua casa, regidos à distância por Thierry Fischer, ele vai aqui, em especial, para todos os profissionais na linha de frente do combate à Covid-19 e, também, como expressão de solidariedade e conforto, para todos que sofrem a angústia de ter parentes e amigos isolados em tratamento hospitalar, e todos que perderam entes queridos durante a pandemia.

É isso, também, o que nos diz a música de Villa-Lobos, ressoando como nunca no coração de cada um de nós. Como tudo, a tragédia do coronavírus também passará. Que todos nós tenhamos muita força e fé enquanto essa hora não chega.

Direção Artística e Executiva: Arthur Nestrovski e Marcelo Lopes

29 DE JULHO DE 2020

A triste e incômoda posição do Brasil na tragédia da Covid

MARCO MERGUIZZO

Fonte: Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC)

Além do estudo acima elaborado pelo ECDC, a Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos EUA, é a principal referência no mundo quando o assunto é contabilização dos casos de coronavírus. A instituição também disponibiliza em seu site um mapa mundi que atualiza, em tempo real, os novos casos confirmados da covid-19, e as mortes.

Na lateral esquerda do site, há uma barra em que você pode clicar no país que deseja para entender qual a realidade específica dele naquele momento. Essa barra mostra o número total de casos confirmados (confirmed cases) do novo coronavírus em cada país.

A lateral direita mostra o número total de mortes (total deaths), o número total de pessoas curadas (total recovered) e um gráfico com a curva de progressão da contaminação por Covid-19. Clique aqui, para conferir os números atualizados no mundo todo.


28 DE JULHO DE 2020

Pandemia amplia abismo social

MARCO MERGUIZZO

Além da tragédia humana do coronavírus, que já levou a vida de quase 90 mil brasileiros, a concentração de renda e o abismo social no país se acentuaram nesses cerca de quatro meses de restrições da atividade econômica e isolamento social.

É o que afirma o documento publicado nesta segunda-feira (27/7) pelo portal da ONG Oxfam Brasil, entidade voltada a identificar e a combater as desigualdades sociais no Brasil. A conclusão faz parte do relatório “Quem Paga a Conta? – Taxar a Riqueza para Enfrentar a Crise da Covid-19 na América Latina e Caribe”, divulgado pela entidade.

Com base em dados do ranking de bilionários da revista Forbes, a Oxfam relata que o patrimônio líquido dos brasileiros mais ricos subiu de US$ 123,1 bilhões, em março, para US$ 157,1 bilhões, agora, em julho. Ou seja, houve um crescimento cumulativo de US$ 34 bilhões durante a pandemia, seguindo a mesma tendência dos bilionários latino-americanos. Ao todo, 73 super ricos da região aumentaram suas fortunas em US$ 48,2 bilhões, entre março e junho, de acordo com o levantamento da ONG.

Vivendo em outro planeta
Desenho / Crédito: Angel Boligán

“A Covid não é igual para todos. Enquanto a maioria da população se arrisca a ser contaminada para não perder emprego ou para comprar o alimento da sua família no dia seguinte, os bilionários não têm com o que se preocupar. Eles estão em outro mundo, o dos privilégios e das fortunas que seguem crescendo em meio à, talvez, maior crise econômica, social e de saúde do planeta no último século”, ressaltou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

Desde o início das medidas de isolamento social, oito novos bilionários surgiram no País – ou um novo bilionário a cada duas semanas. A entidade estima que até 52 milhões de brasileiros entraram na linha de pobreza. E, para piorar, cerca de 40 milhões podem perder seus empregos até o final 2020, crescendo o índice de fragilidade social e miserabilidade no país.

Ou seja: ninguém além dos ricos de verdade ganham com a atual política econômica excludente e voltada aos interesses do capital que elegeu o governo Bolsonaro. O ministro “neoliberal” Paulo Guedes, de “Posto Ipiranga sabe-tudo” passou a ser chamado de “Imposto Ipiranga”, ao defender nas últimas semanas a volta da CPMF.

Trocando em miúdos: a concentração de renda cada vez maior é o único projeto do neoliberalismo bolsonarista. Enganados pelo canto da sereia neoliberal e pelo mantra do Estado mínimo, a classe média brasileira, os pequenos empresários e os chamados “pobres de direita” vão no final, como sempre, pagar a conta – e o pato.

Como se vê, o Brasil, país que ostenta o nada honroso segundo lugar no ranking entre as piores distribuições de renda do mundo, segundo a ONU, concentrando 1/3 das riquezas do pais nas mãos dos mais ricos, continua para poucos. E, desde sempre, só para os muito ricos.


27 DE JULHO DE 2020

O velho normal

FREDERICO MORIARTY

Passados 130 dias da primeira morte no Brasil por Covid, o saldo é trágico: mais de 86.000 famílias perderam entes querido e quase 2,5 milhões de pessoas tiveram a gripe mais letal desds 1918.

Vemos histórias de superações, solidariedade, fraternidade, todos os dias. A maioria dos brasileiros levou a doença e as recomendações científicas e médicas a sério. Cumpriram a quarentena, mantiveram o isolamento social, mudaram hábitos. Colaboraram para um ” achatamento” na curva de contágio até metade de maio.

Nessa época, o Brasil do atraso, do negacionismo, dos interesses econômicos e políticos mais perversos, agiu contra a vida e a inteligência. Liderados pelo presidente facínora, governadores amigos, prefeitos criminosos, abriram as chaves do inferno. Milhões de brasileiros foram às ruas como se a pandemia não existisse. Espalharam o vírus, contaminaram pessoas em cadeia, deram alimento para uma doença que estava muito perto de ser enfrentada com sabedoria. O resultado: temos hoje o dobro de óbitos e casos do que teríamos se essa parte egoísta, sem empatia, sem respeito ao próximo não tivesse jogado todo o esforço fora.

Hoje é um dia triste. Dentro de duas semanas passaremos dos 100 mil falecidos e não temos a mínima ideia de quando esses números irão baixar. Pra colaborar, muitas cidades querem botar os 35 milhões de estudantes em sala de aula a partir de agosto. Qual o sentido desse genocídio?

O velho normal venceu.


26 DE JULHO DE 2020

Enquanto houver sol

ENQUANTO HOUVER SOL

(Música e Letra: Titãs)

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós

Algo de uma criança
Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol
Ainda haverá

Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Aonde Deus colocou

Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol
Ainda haverá
Enquanto houver Sol

Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol
Ainda haverá
Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol

Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol
Ainda haverá
Enquanto houver Sol
Enquanto houver Sol


25 DE JULHO DE 2020

Desventuras domésticas de um sobrevivente da Covid-19

MARCO MERGUIZZO

O cartaz iconoclasta do filme E La Nave Va (1983), de Federico Fellini

Já cozinhei de tudo e bebi quase toda a minha adega.

Assei pão fitness, fiz nhoque, picadinho de frango orgânico, bolo de amendoim do Fineis.

Aspirei pó (o da casa), cantei no chuveiro, faxinei o lar doce lar em todos os pontos cardeais.

Fui lavar minhas meias e cuecas e manchei duas camisas da patroa com cândida.

Já vi série, filme, novela, li uma biblioteca de livros,

assisti lives, participei de calls e de happy hours virtuais no “Zoom”.

Tomei sol no quintal, cochilei no sofá, competi comigo na esteira,

parei de me pesar na balança, deixei o cabelo crescer…

E la nave? La nave Va!

CV: fluente em francês, analfabeto social

Charge: Ribs

Lute como uma ema

Crédito: Jornalistas Pela Democracia

24 DE JULHO DE 2020

A dor da despedida e a empatia viralizadas na rede

MARCO MERGUIZZO

Foto: Arquivo (Agências internacionais)

Sob a atmosfera apocalíptica da pandemia, que até agora já vitimou 640 mil pessoas, uma estatística trágica que corresponde à atual população de Sorocaba, e afligindo de quebra milhares de famílias, a imagem acima correu o planeta, viralizada pela rede mundial de computadores.

Após a imprensa israelense publicar a foto que congela o olhar e a dor pungentes de Jihad Al-Suwaiti, de 30 anos, empoleirado perigosamente na beira de uma janela de hospital na cidade de Hebron, na Cisjordânia, a vigília e a história de amor deste palestino de 30 anos pela mãe tocou o coração de milhões, despertando a empatia e o verdadeiro sentimento de humanidade diante da tragédia do coronavírus.

Com a matriarca isolada no quarto do hospital, Jihad escalou durante cinco dias consecutivos os seis andares da parte externa do prédio para ver Rasmi Suwaiti, de 73 anos, proibida de receber visitas, e que seriam desafortunadamente os seus últimos dias de vida. Uma imagem dramática e tocante de uma dor imensurável. Universais, a empatia e a solidariedade humanas não têm fronteiras, cor, religião ou raça.


23 DE JULHO DE 2020

De quem é a culpa?

FREDERICO MORIARTY

17 de abril: Mandetta é demitido.
18 de abril: Com 4.000 mortos por Covid, Bolsonaro diz que não é coveiro.
19 a 22 de abril: Em diversos eventos, Bolsonaro anda em meio à multidão e – sempre sem máscara -, abraça correligionários.
23 de abril: Moro é demitido.
24 de abril: Bolsonaro fala 1h20 em cadeia nacional sobre Moro e o R.G. falso da sogra.
25 de abril: Frente aos mais de 5.000 óbitos, Bolsonaro exclama: ” – E daí?”
26 de abril: Sites, páginas do feice, zap começam a compartilhar vídeos e mensagens afirmando que a Covid não existe. Imagens com caixões vazios. Correligionários espancam médicos e enfermeiros nas ruas.
27 de abril: Brasil completa 40 dias da 1° morte. A curva de óbitos segue a da Alemanha (gráfico abaixo). A quarentena e o isolamento mostraram-se eficientes e “achatamos” a curva.
28 de abril: Apoiadores do presidente saem às ruas pedir fim da “farsa da quarentena”.
Maio: Cidades, estados e muitas pessoas abandonam as restrições e passam a defender a reabertura econômica já!! Os casos começam a crescer exponencialmente.
Junho. A quarentena persiste nas escolas apenas. Trocaram o isolamento por máscara e álcool em gel. O presidente continua sem ministro da Saúde desde 13 de Maio.
Julho: A pandemia faz parte do passado para muitos brasileiros. Basta tomar cloroquina, água tônica, alho e esperar a vacina.
23 de julho: 82.000 mortos e há cinco semanas numa média de mais de 1.000 mortos/dia (vide de novo o gráfico). São 70 dias sem ministro da Saúde.


22 DE JULHO DE 2020

Arte e oportunismo

MARCO MERGUIZZO

A partir do icônico quadro a série inspiradíssima de Adão Iturrusgarai

A discussão não é nova: a linha conflitante entre arte, copismo intelectual (cópia daquela) e falsificação. Coloco ainda a minha azeitona nessa empada a fim de ampliar esse debate: o oportunismo.

Tudo porque veio à baila nesta semana um processo de direitos autorais perpetrado pelos herdeiros da grande artista brasileira Tarsila do Amaral, uma das figuras centrais do movimento modernista de 1922, contra o talentosíssimo cartunista, o veterano Adão, cujos desenhos já foram republicados pelo Fora da Margem, e bastante curtidos por quem acompanha o nosso canal de humor. A neta, Tarsilinha, representante dos mais de 40 herdeiros da artista, comanda o espólio e licencia os direitos para filmes, roupas e chinelos.

Um dos mais respeitados craques das artes gráficas e do cartum nacionais, Adão Iturrusgarai fez uma série memorável tendo como tema o mais icônico dos quadros da pintora paulista, que é natural da vizinha Capivari – Apaboru –, numa espécie de tributo e reverência ao talento dela. Assim como as fotos emblemáticas de Frida Kahlo e Che Guevara, a obra de Tarsila ostenta fama e projeção internacionais e, portanto, enorme prestígio global. Por extensão, ela também é uma das mais valorizadas artistas brasileiras e latino-americanas lá fora.

Em 2019, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) levou Tarsila do Amaral (1886-1973) para um novo patamar da arte internacional ao arrematar a obra A lua, pintura feita em 1928, durante a fase parisiense da pintora. Em termos de status e valores financeiros envolvidos, pode-se afirmar que Tarsila passou, a partir de então, a estar lado a lado com Pablo Picasso e Henri Matisse, sem exageros.

A Lua (1928), de Tarsila do Amaral

O museu norte-americano investiu à época US$ 20 milhões (R$ 75 milhões) no quadro. Foi a maior quantia já paga por uma obra de arte de um artista latino-americano. Nem Frida Kahlo atingiu esse valor. Quando vendido para o colecionador argentino Eduardo Constantini, em 1995, o Abaporu, também de Tarsila, custou US$ 2,5 milhões. Com tantos milhões em jogo, não por acaso o cartunista Adão, no papel de David do cartum, terá que lutar pela liberdade de trabalhar e expressar-se diante desse novo e poderoso Golias das artes plásticas e dos deuses insaciáveis do capitalismo e do vil metal.


21 DE JULHO DE 2020

Luto pelo Brasil

Charge da capa / Crédito: Gilmar

20 DE JULHO DE 2020

Das escolhas e curvas que elegemos

FREDERICO MORIARTY

Na segunda passada o Jornal Nacional publicou 4 gráficos com a evolução da média diária de contaminados. Três países conseguiram “achatar” a curva da Covid. Cumpriram a quarentena, fizeram o isolamento, testaram muitos e mapearam os focos da doença e estabeleceram uma estratégia unificada e racional de combate à pandemia. Nós, ao contrário, contamos com um presidente negacionista que boicotou todas as medidas de saúde. E parte da população colaborou, desrespeitando toda e qualquer regra.

Resultado da balbúrdia: entramos na 5° semana seguida com média de 1.000 mortos diários e estamos com 2,1 milhões de infectados. Não temos a mínima ideia de quando entraremos na fase de declínio. A Itália que foi a primeira nação em que enxergamos a tragédia, terminou o dia 19 com apenas 3 mortos. Detalhe: eles tiveram o primeiro óbito em 23 de fevereiro, exatos 24 dias antes da primeira morte no Brasil. Em 13 de agosto (daqui 24 dias) estaremos ainda com quase mil mortes diárias e um total acima de 100 mil falecidos, quase o triplo da ‘Bota’. A nossa tragédia não foi acaso, foi fruto da política genocida de um país que está sem ministro da saúde há 64 dias. São consequências das malditas escolhas, como diz Atila, influenciador científico na postagem abaixo:


19 DE JULHO DE 2020

A excrescência no futebol brasileiro

FREDERICO MORIARTY

A articulação pelo retorno do Campeonato Carioca durante a pandemia que já matou mais de 79 mil brasileiros e o decreto sobre direitos de transmissão estreitam laços entre Bolsonaro e diretoria do Flamengo. A estratégia ainda contou com a transmissão da partida final pelo SBT. O canal é do velho Silvio Santos que proibiu seus jornalistas de falar mal do governo e demitiu outros tantos.

O Flamengo conquistou o seu 36º Campeonato Carioca. O título, num Maracanã sem público, mas com um hospital de campanha anexo ainda cheio, teve sabor especial para o presidente Jair Bolsonaro, que divulgou foto assistindo à final com o uniforme rubro-negro. O presidente da República se engajou pessoalmente pelo retorno “solo” do torneio, concretizado em meados de junho, mesmo com a Pandemia fora de controle no Rio. O torneio acabou apelidado pelos cariocas de Covidão 2020.

O presidente ainda piorou as relações espúrias entre dirigentes esportivos e governo. Supostamente em tratamento da Covid e em meio a 2 milhões de infectados e 79.000 óbitos, Bolsonaro teve tempo para posar com várias camisas de clubes como o Inter, Sport, Atlético, Palmeiras, Cascável. Um doente grave pode interagir com redes sociais e até brincar com a richa com o Corinthians.

Tudo isso em meio à liberação de mais duas parcelas do auxílio emergencial. É uma verdadeira política do Panis et circensis.

Para acessar todos os posts de 1/6 a 24/7/2020, clique em cima da imagem abaixo

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