Rua das Pedras, 65

Rubens Nogueira

Se eu fosse católico praticante estaria agora no confessionário. Como me tornei presbiteriano na juventude, escrevo desde então. Meus pecados não são mortais. Mas me tiram o sono constantemente. Tenho a necessidade de confessá-los.

Os grandes romances – nada mais do que confissões – são escritos nos países protestantes.

Essa Rua das Pedras 65, para quem já foi a Búzios, é muito conhecida. O número 65 indica o ano seguinte à primeira presença de Brigitte Bardot naquele paraíso. Tão famoso ficou que logo foi descoberto pelos argentinos e virou um pandemônio, para usar a palavra do dia.

Da minha turma de boemia, quem organizou a primeira viagem foi, como sempre, uma irrequieta aluna de Maria Luiza, no Bennett.

O número 65 escolhi porque fazia um ano que a vedete francesa ali estivera, para fugir do assédio dos fãs na porta do edifício onde se hospedou com seu namorado brasileiro, na Avenida Atlântica.

Na laje da casa do cônsul francês, ela, nua em pelo, tomava banho de sol. Hoje, em forma de estátua, é abraçada por milhares de turistas.

Búzios, infestado pelos argentinos, não é mais o balneário de 1965. Mas merece uma visita porque a sua riqueza, as praias, essas serão sempre uma atração. Eu que o diga!

Neste ano em que comemoro 92 anos de idade, tenho muita alegria em registrar que Nancy, minha primeira amiga carioca, ainda me honra com sua amizade e carinho

Rua Silva Jardim, 23

Quando desembarquei no Rio em 1948 procurei logo abrigo entre os irmãos presbiterianos na centenária Catedral, ainda aos pés do morro Santo Antônio (quando chovia, o barro e muito lixo emporcalhavam a lateral entre o templo e a casa pastoral, mas a convivência com os favelados era tranquila).

No final do culto daquela manhã de domingo, grande parte dos frequentadores se reuniram na escadaria para uma fotografia que registrava um número impressionante: 1.700 membros batizados e frequentadores dos cultos aos domingos e quartas-feiras.

Na manhã de fevereiro de 1948 conheci Nancy Marques, tão generosa que me convidou para a festa dos seus quinze anos. Fui a aquela e a muitas outras festas, retiros e tantas outras atividades da mocidade presbiteriana.

Neste ano em que comemoro 92 anos de idade, tenho muita alegria em registrar que Nancy, minha primeira amiga carioca, ainda me honra com sua amizade e carinho. Deixei de frequentar a igreja há muitos anos, mas Nancy sempre me telefona para me lembrar das apresentações do famoso Coral da Catedral Presbiteriana, do qual ela faz parte desde menina. Não posso terminar essa memória sem lembrar que nossa amizade sempre teve uma espécie de santo protetor: Frank Sinatra.

Nancy Sinatra, aliás, é como ela gosta de ser chamada.

PS: Silva Jardim foi um brasileiro que se aproximou demais e foi engolido por um vulcão na Itália, isso no século XIX.

Suspenda-se a quarentena!

Praia do Flamengo na zona sul do Rio de Janeiro
(Tânia Rêgo/Agência Brasil) – 6/9/2020

O Brasil ainda não atingiu a classificação mínima para enfrentar uma quarentena.

Esse tipo de prevenção é para país que tem a organização necessária, um povo melhor governado, mais educado, que sabe escolher quem merece ser votado – e não esse mequetrefe super bem votado e que, ao que tudo parece, vai ser reeleito com 70 milhões de votos.

O Brasil é, como diz o povão, um país maravilhosamente abençoado, mas não sabe como lidar com esses acontecimentos, melhor administrados até por quem só merece gozação e que está se revelando um modelo de administração, o velho Portugal.

Como diz o Bolsonaro, suspenda-se a quarentena, que o povo circule como achar melhor e vamos ver como fica. Isto é, se sobrar alguém para contar…

A morte e a ciência

Divulgaçao

A morte não poupa ninguém. E nesta fase de quarentena quem merece homenagem fúnebre é sepultado sem velório.

Luiz Alfredo Garcia-Roza (foto) foi professor universitário e mestre da literatura policial, para onde canalizava a generosidade que aprendeu com os filósofos. Quer dizer, além de escrever bem, passava para seus leitores altíssimo conhecimento filosófico. Seus livros têm títulos excelentes: “O silêncio da chuva” e “A última mulher” são exemplos. Talvez agora venha a conhecer o romancista, pois só o conhecia de nome.

Um outro autor do qual nunca ouvira falar chamou-se Luis Sepúlveda. Escreveu mais de 20 livros.

Eu precisava viver mais para completar minha educação intelectual. Porque, como dizia o ministro que encabulou a ignorância presidencial, primeiro a vida, depois a Ciência.

Foto principal
Brigitte Bardot em visita ao Rio de Janeiro, janeiro de 1964. Fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional do Brasil

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: