O sobrinho do presidente

Rubens Nogueira

Aquele pessoal de Sorocaba – amigos sim, mas descrentes do que seria a vida do aventuroso companheiro, colega da escola e das algazarras do dia a dia, em uma cidade que tinha, na época, uns 40 mil habitantes – tentava dissuadir o colega de uma decisão que tinha tudo para dar errado, e o fiasco iria ser ruim para ele.

Difícil não dar razão a eles, mas eu estava determinado a morrer em água grande.

Meu chefe na época deu-me um cartão de apresentação para o dr. Pascoal Ranieri Mazzili, superintendente da Caixa Econômica e ex-coletor em Sorocaba.

O resto é história, que venho contando em livros e no blog, há 70 anos.

A boa fortuna ou bênção divina proporcionou-me fazer carreira como jornalista, relações públicas, mas principalmente ter trabalhado 15 anos na Itaipu Binacional, onde me aposentei em 1992.

Ana Maria Cachapuz Médici Nogueira foi minha musa inspiradora até seu falecimento, com apenas 49 anos, e após cinco anos de sofrimento com câncer, em 12 de dezembro de 1993.

Não fui trabalhar na Itaipu por escolha do presidente Médici. Conheci sua sobrinha cinco anos depois que fui admitido por Pedro Paulo de Salles Oliveira.

L’amour Toujours L’amour

Aos 74 anos, após três casamentos, seria tempo de baixar o facho, como dizia Ana Médici, aquela que me proporcionou anos de intensa felicidade conjugal.

Quando a conheci, no escritório da Itaipu Binacional, no edifício De Paoli, voltava de uma viagem ao exterior, o circuito Helena Rubinstein – Nova York, Paris e Londres, com extensão até Genebra –, para visitar a família Luiz Carlos Weil, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (ele desceu do sétimo andar após consulta a um cardiologista e caiu morto na calçada).

Eu estava com 74 anos e procurava um apartamento para morar.

A mocinha da imobiliária me tratou tão bem que dias depois procurei-a e a convidei para almoçar.

E, por mim, estaria fazendo isso até hoje.

Apaixonei-me perdidamente por ela. Levei-a um dia para almoçar em minha casa. Lourdes, minha empregada, achou que eu ia me casar com uma menina de 20 anos, chorou e disse que não ficaria mais em casa.

Expliquei-lhe que aos 74 anos não ia me casar com uma menina de 20 anos. Ela se acalmou (mas eu bem que me casaria). Por alguns anos a linda garota foi minha companhia quase diária. Teatro, cinema, almoço na boca maldita, viagem ao litoral para comer barreado, anos de intensas emoções para um viúvo que por duas vezes enfrentara duas batalhas com mulheres portadoras de câncer: Elza, segunda esposa, câncer no fêmur, que ela superou e com quem me relaciono até hoje, e Ana Médici, com um câncer de mama que ela enfrentou bravamente até morrer, aos 49 anos. Para ela dediquei um livrinho que conta todo o seu sofrimento.

Por que estou escrevendo sobre tais assuntos? A quem pode interessar? Sei lá.

Foto: Imagem de Davi Peixoto por Pixabay 

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