O Exército de Floriano a Bolsonaro

Geraldo Bonadio

A espantosa submissão do Brasil aos interesses, menos dos Estados Unidos que àqueles de um governo, o de Donald Trump, que ninguém ainda tem certeza se conseguirá ou não reeleger-se em novembro, coloca em debate as mudanças para pior que, desde o malfadado governo Temer, vem ocorrendo na política externa do Brasil.

Em 1893, face à renúncia do presidente, marechal Deodoro da Fonseca após o malogro do golpe em que tentou fechar o Congresso, assumiu a presidência o também marechal Floriano Peixoto. Embora ambos fossem militares da mais alta patente e naturais de Alagoas, não tinham boas relações entre si. Floriano fora eleito vice-presidente por uma chapa adversária à do proclamador da República, recebendo, na eleição indireta que os escolheu, mais votos do que ele.

Tão logo tomou posse, a oposição começou a exigir que se fizesse uma nova eleição presidencial, eis que a renúncia de Deodoro ocorrera ainda na primeira metade do mandato. De imediato, eclodiram dois movimentos armados contra o governo: a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, e a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro.

Credita-se a Floriano a instauração de nossa primeira ditadura militar e, como conta Lima Barreto, em “O Triste fim de Policarpo Quaresma”, o nenhum apreço por tudo quanto ultrapassava o seu entendimento. O que não lhe faltava era zelo pela nossa soberania.

Temendo que a Revolta da Armada pudesse trazer perigo aos seus nacionais, residentes no Rio de Janeiro e, portanto, ao alcance do canhoneio naval, diplomatas das potências estrangeiras enviaram um representante a Floriano, para saber como seria recebida uma intervenção das forças navais embarcadas em navios fundeados na Guanabara, com a finalidade de protegê-los. Floriano respondeu com duas palavras: A bala! A conversa morreu ali.

De Temer para cá, o Brasil abriu mão dos projetos estratégicos da Embraer, entregou uma parte de nosso território – a base de Alcântara (MA) – aos Estados Unidos, subordinou um de nossos oficiais generais a um comando estadunidense, atritou-se com um número crescente de nossos vizinhos sul-americanos e agora, numa exacerbada manifestação de vocação para capacho de Trump, subordina-se a Washington na questão da telefonia G5.

Os ossos de Floriano devem estar batucando na tumba.

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