A arte pixelada de Han Hsu-Tung (entrevista)

LUIZ PIEROTTI – Há alguns meses, em meio a pesquisas despretensiosas pela internet, me deparei com o trabalho de um artista muito peculiar: esculturas em madeira, que mesclavam o orgânico e a tecnologia. Seu autor era Hsu Tung Han, escultor nascido em 1962, em Taipei, Taiwan, cujos trabalhos apresentam figuras dos mais variados tipos e nas mais diversas situações, porém algo salta aos olhos de seus apreciadores: os pixels.

Como se fruto de digitalização, as imagens parecem se formar (ou desfazer) em pixels, que se descolam de um corpo central, flutuando pelo ar.

Me senti impelido a procurar mais sobre Hsu, o escultor, e durante minha pesquisa sobre o autor não encontrei quaisquer informações em português sobre sua vida, história e motivações, assim sendo, decidi eu mesmo entrar em contato com Han, e pedir para que o próprio artista nos contasse um pouco sobre de si.

O artista Han Hsu-Tung e uma de suas obras.

Prontamente fui atendido, e é com grande felicidade que trago uma entrevista exclusiva com o escultor Hsu Tung Han, que nos fala sobre como a arte entrou em sua vida, suas técnicas, ideias e expectativas, em um mundo onde o trabalho artístico floresce com tanta dificuldade.

Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco sobre sua história. A arte te acompanha desde a infância?

Eu amava desenhar e “fazer coisas” desde criança, queria ser artista na época. Porém, não frequentei uma Academia de Arte. “Aprender algo, querer aprender, é mais importante que possuir habilidades técnicas”, era isso que trazia em meu coração quando jovem. Por fim, me graduei em Arqueologia pelo Departamento de Antropologia da Universidade de Taiwan. Após o serviço militar, comecei a fazer esculturas de madeira, aprendendo tudo sozinho. Muitos tópicos da antropologia se tornaram conteúdo de minhas obras de carpintaria, no início de minha carreira.

Por que esculturas? Ela sempre esteve presente em sua vida ou foi algo que você descobriu com o tempo?

Comparada as pinturas, os processos da escultura são mais complicados para mim, o que significa mais interesse. Por outro lado, há sempre muitas ideias flutuando em minha mente. Acho que são pensamentos diferentes dos de outros artistas, pois quero fazê-los reais. Então, não é uma questão de destino, foi minha escolha me tornar um escultor.

Quando observamos seu trabalho, percebemos a fusão entre o orgânico e o tecnológico. De onde essa ideia surgiu? O que essa fusão significa para você?

Compor pequenos blocos em um maior, e depois continuar a esculpi-los é uma tendência na escultura em madeira. Eu não quero trabalhar em um grande e centenário tronco de árvore. Hoje em dia, as pessoas querem tratar a Terra mais gentilmente. Na verdade, muitos artistas dedicaram-se a desenvolver diferentes técnicas para construir suas estruturas, a maneira que escolhi é apenas uma delas. Eu uso centenas ou milhares de cubos no corpo principal da estrutura, e então esculpo homens ou animais. Eu considero esses blocos como unidades, compondo, por fim, algo real. É a mesma coisa com pixels digitais compondo imagens em uma tela de computador. De fato, meu trabalho realmente se parece com falhas de pixels em uma tela, e é exatamente de onde a ideia de minhas obras vem. Tento demonstrar a relação entre as pessoas modernas e a tecnologia digital. Essa “fusão”, de alguma forma, significa que o hábito de usar ferramentas digitais quase se tornou parte dos nossos corpos.

Percebo a predominância da madeira como matéria prima de suas obras. É apenas uma escolha técnica, ou também possui um significado artístico?

Não é tão fria quanto o ferro ou o bronze… A madeira é um material orgânico, morno e com diferentes tipos de perfume. Eu gosto muito de trabalhar em um ambiente cheio de fragrâncias. Além disso, eu esculpo diretamente na madeira, com minhas próprias mãos, do começo ao fim. Esculturas feitas de bronze, por exemplo, podem ter dez peças iguais, mas a escultura em madeira é uma peça única no mundo. Isso realmente significa algo para mim.

Qual suas expectativas? O que pretende transmitir ao público?

Quando eu era mais jovem, não queria transmitir visões ou respostas pessoais, mas promover temas sociais e culturais através de meu trabalho. Nos últimos anos, a mudança social acontece mais rápida do que nunca, e a escultura clássica em madeira está perdendo sua conexão com a arte moderna. Espero poder oferecer uma nova visão e uma nova forma de escultura.

O que você pensa sobre a situação da arte e, principalmente, da escultura nos dias de hoje?

Arte, literatura, filosofia… Infelizmente não são mais importantes como já foram nos bons e velhos tempos. Eu não acho que nós podemos mudar o mundo, mas como artistas podemos tentar fazer a situação não piorar.

Acesse o Instagram oficial de Hsu Tung Han clicando AQUI

Abaixo, confira mais algumas obras do artista:

2 comentários em “A arte pixelada de Han Hsu-Tung (entrevista)

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