Acusação do MPRJ contra Flávio Bolsonaro é grave

GERALDO BONADIO (Blog do Bonadio) – O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, pela prática, ao tempo em que cumpria seu mandato como deputado à Assembleia Legislativa daquele Estado, do crime de peculato.

Peculato é uma palavra estranha. Como se lê no Artigo 312 do Código Penal, ela designa o furto cometido por funcionário público, ou seja, o ato de meter a mão no dinheiro do governo desta ou daquela maneira. Segundo a denúncia dos promotores fluminenses, no caso do senador a coisa se dava da seguinte maneira. O coordenador do gabinete do então deputado, Fabrício Queiroz – sim, aquele mesmo que, depois de um longo sumiço, foi encontrado no escritório do advogado da família Bolsonaro em Atibaia, SP – arregimentou um grupo de pessoas que davam o nome e o CPF e eram contratadas para nele trabalhar, só que nem trabalhavam, nem precisavam nele aparecer. Como contrapartida, quando efetuado o pagamento, ficavam com apenas 10% do salário, restituindo os 90% restantes a Fabrício, que os repassava ao parlamentar, sempre em dinheiro vivo.

Flávio Bolsonaro nunca trabalhou antes de se tornar deputado à Alerj. Ao tomar posse, seu patrimônio se limitava a um carro usado. Hoje, o patrimônio por ele amealhado ultrapassa a casa do milhão de reais – meta impossível de ser atingida ainda que ele empregasse na compra dos imóveis que hoje possui tudo aquilo que recebeu como deputado.

Após as investigações que embasam a denúncia, amparada ainda por um documento bancário que Queiroz extraiu num momento de aparente distração e foi juntado à peça criminal, o MP conclui que a obtenção se deu através da transferência, ao parlamentar, daqueles 90% que os que davam o nome para sem listados como funcionários do seu gabinete, a ele devolviam.

É evidente que neste país em que não existe racismo, a Floresta Amazônica e o Pantanal não estão sendo destruídos, o Covid 19 não está se aproximando dos 180 mil mortos que o ex-ministro Mandetta previu que teríamos se a política negacionista do presidente se mantivesse, para mencionarmos apenas algumas das mazelas que nos afligem, o caso pode dar em nada. Mas não há como negar que a denúncia é consistente. Respeitado o direito do filho do presidente à presunção de inocência, pode-se, logicamente concluir que, fora outro, o denunciado acabaria sem mandato e na cadeia.

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