Hoje, entrevista com José Eduardo Agualusa

Grande Sertão: Veredas…

Evandro Affonso Ferreira

Hoje me deu vontade de ler um trecho de Grande Sertão: Veredas…

Pílula do dia

A filosofia na Idade Média, de Étienne Gilson

Étienne Gilson, filósofo e historiador francês, nasceu em Paris em 1884. Ensinou história da filosofia medieval na Sorbonne. Além de A filosofia na idade média, escreveu O espírito da filosofia medieval. Faleceu em 1978.

Trecho do livro:

A filosofia só aparece na história do cristianismo no momento em que certos cristãos tomam posição em relação a ela, seja para condená-la, seja para absorvê-la na nova religião, seja para utilizá-la em função da apologia cristã. O termo filosofia apresenta, desde essa época, o sentido de sabedoria pagã, que conservará durante séculos. Mesmo nos séculos XII e XIII, os termos philosophi e sancti significarão diretamente oposição entre as concepções do mundo elaboradas por homens privados das luzes da fé e as dos Padres da Igreja falando em nome da revelação cristã.
(Aqui você fica sabendo sobre a filosofia árabe, a filosofia judaica, sobre os gnósticos do século II, o platonismo latino do século IV, a cultura patrística latina, a influência greco-árabe, a fundação das universidades, vários dialéticos e teólogos; entre tantos, Anselmo, Agostinho, Tomás de Aquino, Avicena, boécio, averróis.)

Entrevista: José Eduardo Agualusa

Nacionalidade angolana, José Eduardo Agualusa nasceu em 1960. Ganhou vários prêmios, entre eles: Grande Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco, Prêmio Fernando Namora e Prêmio Literário Internacional IMPAC de Dublin. Criador-idealizador, junto com Conceição Lopes e Fátima Otero, da Editora Língua Geral. Escreveu vários livros, entre os quais O vendedor de pássaros, As mulheres do meu pai e Barroco tropical.


Agualusa e o menino e o lexicógrafo


Evandro Affonso Ferreira – Você, feito eu, também se inquieta com aquele daqui-a-pouco ali adiante, que, desiludido, olha para trás e não vê nenhum pressuposto, nenhuma conclusão antecipada?
José Eduardo Agualusa – Não, não me inquieto facilmente, e menos ainda com o que não posso controlar.

Evandro – É aconselhável, vez em quando, para se esquivar das ciladas das equivocações, se mudar para casebre da rua de baixo, ali na viela das razoabilidades?
Agualusa – Acho que prefiro permanecer no meu espaço, elas são mais fatais no espaço alheio.

Evandro – E quando queremos empreender surrealista tarefa de confeccionar caminhos, e percebemos que nossos passos ainda não se adaptaram às probabilidades peregrinas?
Agualusa – Bom mesmo é dar passos para além dos caminhos.

Evandro – Certos seres chuvosos não facilitam de jeito nenhum a própria estiagem?
Agualusa – Não frequento seres chuvosos, e nem eles me frequentam. Onde vivo tem tanto sol que a própria chuva chega aqui já seca.

Evandro – É possível farejar as voluptuosidades do eventual, as luxúrias do acaso, cooptar o imprevisível?
Agualusa – O imprevisível é o melhor da vida, o inverso do tédio. Eu abro as janelas ao imprevisto – normalmente ele entra.

Evandro – E quando somos surpreendidos tentando, a todo custo, apalpar ausências?
Agualusa – Não sofro com ausências. Também isso é uma escolha: trago os ausentes sempre comigo.

Evandro – É preciso, vez em quando, espreitar esperançoso a chegada da resignação e seus apetrechos estoicos?
Agualusa – Pode ser. Venho me treinando para aceitar o inevitável.

Evandro – Nem sempre é possível perceber que os auges são muito escorregadios?
Agualusa – Se não fossem não seriam auges. A graça deles é serem escorregadios.

Evandro – É com os desfiladeiros que aprendemos a recuar?
Agualusa –Ou a escalar. São os desafios que nos melhoram.

Evandro – E esses amanheceres irreconhecíveis, escassos de surpreendências?
Agualusa – O que você sugere é uma contradição nos termos: amanhecer é surpreender-se.

Fragmentos

Cúmplice costumeiro dos deuses da Compaixão: inquieta-se também com aquele daqui-a-pouco ali adiante, que, desiludido, olha para trás e não vê nenhum pressuposto, nenhuma conclusão antecipada. Nossa sutilíssima personagem vive atenta às miudezas, aos subliminares, aos inconscientes. Hoje cedo, cainhando a trouxe-mouxe pelos arredores da cidade, sentiu de súbito fisgada comiserativa no peito: não viu nenhuma placa indicativa, nenhum reconhecimento geográfico sinalizando: O ARRABALDE É AQUI.

Livro de minha autoria

Foto principal

(As fotos que abrem este blog pertencem ao meu futuro livro, Ruínas. Passei um ano fotografando paredes carcomidas pelos becos, veredas, ruas do centro, e de alguns bairros paulistanos).

As imagens apresentam uma concretude pobre e miserável, de ruína mesmo, que na sua própria deterioração encontra rasgos inesperados de um refinado expressionismo abstrato – força das paredes arruinadas e das tintas expressivas do tempo. (Alcir Pécora)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: