A importância da Secretaria da Cultura para Sorocaba

JOSÉ SIMÕES- Como se sabe a pandemia, mesmo quando passar, deixará uma série de rastros. Seja os de ordem biológica e física, ou seja, os de ordem emocional e afetiva. Nesse contexto o mundo, tal como o conhecíamos, de fato, já não é mais o mesmo. Vivemos uma nova ordem, por exemplo, no avanço das comunicações digitais, sim, o home office veio para ficar em muitas empresas ou o avanço na medicina. Nunca tantos recursos foram empregados para descortinar os processos virais e os seus desdobramentos. Se estes exemplos são positivos, temos também os negativos. Ficamos mais tristes. As atividades artísticas encolheram.

Nestes últimos meses muitas manifestações artísticas foram para o ambiente digital, como ultima possibilidade. Tudo junto e misturado, no ambiente digital, o público não conseguiu diferenciar os modos de recepção e as peculiaridades das diferentes manifestações artísticas. A imagem e o som na tela tem características próprias do audiovisual – televisão e cinema – e se relacionam desse modo com o público. Um show de musica, por exemplo, presencialmente, tem a capacidade de acionar no público determinados elementos sensitivos que o online não consegue. Assim como, uma peça de teatro ou dança. O online online tornou tudo muito próximo na tela, do ponto de vista da recepção. Tornando igual o que não é.

Pode ser que você sequer tenha notado isso. Pode ser que de repente você começou a achar que toda a live era a mesma coisa. E que você não suporta mais fazer reunião a distância. A pandemia causou o encolhimento nos modos de se relacionar com a imaginação e o imaginário (nalgumas situações) e afetou a todos. Deixando a sociedade, para utilizar uma palavra sentimento: carente do outro.

Uma comunidade ou cidade que não desenvolve os atributos da imaginação, da memória, da tradição, da identidade se apequena. Torna-se, metaforicamente, uma cidade dormitório, na qual os cidadãos somente quer dormir e não usufruir

A cidadania plena, portanto, é aquela que os seus cidadãos sem medo ocupam a cidade. Eles tem orgulho das suas festas populares e tradicionais. Preservam a memória e valorizam a sua identidade. Fomentam o ensino das artes. Desenvolvem uma política para a formação de públicos. Sim! É preciso formar os públicos. Não fazer um evento aqui e outro acolá. Não funciona assim. É preciso, neste processo cidadão, mostrar o potencial da musica erudita ao popular; valorizar o carnaval e o balé clássico; oferecer oportunidades dos cidadãos conhecerem o teatro shakespeariano e aos dramaturgos modernos. E assim por diante. Mas, fundamentalmente, é preciso uma cidade no qual os cidadãos e os seus políticos tenham orgulho dos seus artistas. Sorocaba tem artistas gigantes que carregam no peito a terra rasgada

A Secretaria da Cultura de Sorocaba, no ultimo governo, foi maltratada. Pareceu nos muitas vezes apenas um espaço para acomodar políticos, sem o mínimo perfil ou aderência com a área. Espera-se que isso não aconteça neste próximo governo. Será de uma tristeza imensa se tudo isso se repetir.

O psiquiatra e fundador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Fiocruz, Paulo Amarante diz: “A arte é, fundamentalmente, diálogo, uma forma de conversar e de falar. Por isso eu acho muito importante neste momento de pandemia vermos como as pessoas trocam informações: elas mandam músicas que gostam, acham vídeos interessantes, e fazem isso no sentido de expressar diálogo”

É por tudo isso que a cidade de Sorocaba precisa de uma Secretaria da Cultura atuante. Para que possa fomentar o futuro dos cidadãos. Para cuidar dos imaginários e colocar Sorocaba na centralidade Cultural da Região Metropolitana ou mesmo estadual. Não faltam bons projetos ( basta ver como muitos projetos da cidade foram aprovados nos editais estaduais). Precisam, por parte do poder público: respeito, diálogo, apoio e cumprimento das políticas publicas já aprovadas no plano municipal de cultura.

Um novo tempo para todos, como se apregoa no marketing eleitoral, só poderá existir com uma Secretaria da Cultura forte, moderna e com soluções criativas em sintonia com este tempo.

Observação:”o surrealismo foi criado por um psiquiatra, André Breton. A ideia do surrealismo era propiciar a emergência do inconsciente sem as limitações impostas pela sociedade, deixar aflorar os sonhos, pesadelos e desejos mais profundos. E a arte foi um dos grandes pontos do movimento surrealista, na pintura, no cinema, no teatro. Ela tem a capacidade de se aprofundar na alma das pessoas, nos desejos, nos instintos, no que há de mais obscuro e dar luz, e isso é profundamente criativo”

Foto: espetáculo Gavetas da Alma

 

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