Hoje, entrevista com Juca Kfouri

Deus? Que diabo é isso?

Evandro Affonso Ferreira

Hoje amanheci fazendo perguntas irrespondíveis para mim mesmo…

Pílula do dia

Perguntas insólitas

Poesia, de T. S. Eliot

Nasceu nos Estados Unidos, St. Louis, Missouri (1888). Em 1915 aparece pela primeira vez na revista Poetry, de Chicago – poema este posteriormente incluído por Ezra Pound em sua Catholic Anthology. Foi Diretor da Faber & Faber, Londres. Em 1927 adota cidadania inglesa. Entre os títulos honoríficos, diplomas, condecorações, e comendas ao autor de Four Quartets, contam-se, entre outros, Doutor em Filosofia pela Universidade de Cambridge, Ordem do Mérito do Império Britânico e Prêmio Nobel de Literatura.

Trechos do livro:

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.

…………..

Se a palavra perdida se perdeu, se a palavra usada se gastou
Se a palavra inaudita e inexpressa
Inexpressa e inaudita permanece, então
Inexpressa a palavra ainda perdura, o Inaudito Verbo,
O Verbo sem palavra, o Verbo
Nas entranhas do mundo e ao mundo oferto;
E a luz nas trevas fulgurou
E contra o verbo o mundo inquieto ainda arremete
Rodopiando em torno do silente Verbo.

Entrevista: Juca Kfouri

Nasceu em São Paulo. Jornalista, escritor, formado em Ciências Sociais pela USP. Esteve à frente das revistas Placar e Playboy. Denunciou, na Folha, o contrato milionário da CBF com a Nike. Presença ativa nos mais expressivos canais de TV e jornais brasileiros. Escreveu vários livros, entre eles: A emoção Corinthians, O passe e o gol e Corinthians, Paixão e Glória.


O jornalista e a bola


Evandro Affonso Ferreira – Você ainda encontra tempo para não fazer nada. Sim: ficar num canto qualquer estudando a anatomia do inimaginável, ou talvez, debulhando as cascas do incógnito?
Juca Kfouri – Infelizmente entre minhas poucas habilidades não está a de não fazer nada. Sou um fracasso nisso.

Evandro – E Deus? Exilou-se de vez no subsolo do incognoscível?
Juca – Deus? Dele só sei que prefere os ateus.

Evandro – E as certezas? Vida toda ultrapassamos, se tanto, o pórtico do talvez?
Juca – E olhe lá. Embora essa coisa de 2 mais 2 ser 4 pareça fazer sentido.

Evandro – Como se esquivar das ciladas das equivocações? Sim: quando não estamos entendo a geografia dos próprios descaminhos? Mudar-se para casebre da rua de baixo, ali na viela das razoabilidades?
Juca – Nessas ocasiões acho melhor se fazer de louco. Completamente louco, sem um pingo de razoabilidade. E ver o que acontece. Tenho sobrevivido.

Evandro – E quando queremos atropelar-acelerar as hipóteses, queremos mergulhar precipitados nas intuições? Eu, quase sempre, caio nas ciladas da afoiteza. E você?
Juca – As intuições têm sido generosas comigo. Até quando não sei. E quando não foram o resultado não chegou a ser catastrófico.

Evandro – Vez em quando você se vê desestabilizado diante dos enigmas dos obscuros desalentos? Sim: vez em quando se atrela à melancolia e seu cortejo angustioso e seus penduricalhos de inquietudes?
Juca – Luto contra a melancolia desde sempre a tal ponto de que ela desistiu de mim. Uma vez a chamei de sentimento reacionário. Acho que foi por isso.

Evandro – Viver? É possível se preparar para esta emboscada?
Juca – Se fosse, não nos limitaríamos a sobreviver.

Evandro – E nesses tempos de desentendimentos mútuos? Devemos evitar inclusive os solilóquios?
Juca – Não os evito, mas dão cada briga que talvez fosse melhor evita-los.

Evandro – E o desprezo? Você já desconfiou alguma vez, teve ligeiro pressentimento de que foi o etecetera da frase de alguém?
Juca – Aos 14 anos. E nunca mais me recuperei.

Evandro – Você é feito eu? Sim: pertence também àquela chusma de seres chuvosos que não facilitam de jeito nenhum a própria estiagem?
Juca – Não, querido Evandro, acho que sou mais solar. Mas me ensopo com você com o maior carinho.

Fragmentos

Contam que ontem, nossa ontológica personagem, decidiu se isolar de tudo-todos indo viver na longínqua ilha dos tatibitates.

Jactâncias

Livros de minha autoria

1996Bombons Recheados de Cicuta (Paulicéia)
2000Grogotó! (Topbooks)
2002Araã! (Hedra)
2004Erefuê (Editora 34)
2005Zaratempô! (Editora 34)
2006Catrâmbias! (Editora 34)
2010Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus (Record)
2012O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam (Record)
2014Os Piores Dias de Minha Vida Foram Todos (Record)
2016Não Tive Nenhum Prazer em Conhecê-los (Record)
2017Nunca Houve tanto Fim como Agora (Record)
2018Epigramas Recheados de Cicuta – com Juliano Garcia Pessanha ((Sesi Editora)
2019Moça Quase-viva Enrodilhada numa Amoreira Quase-morta (Editora Nós)
2019 – (Plaquetes) – Levaram Tudo dele, Inclusive Alguns Pressentimentos, Certos Seres Chuvosos não Facilitam a Própria Estiagem e Anatomia do Inimaginável.
2020Ontologias Mínimas (Editora Faria e Silva)
2021Rei Revés (Record)

Foto principal

As fotos que abrem este blog pertencem ao meu futuro livro, Ruínas. Passei um ano fotografando paredes carcomidas pelos becos, veredas, ruas do centro, e de alguns bairros paulistanos.

As imagens apresentam uma concretude pobre e miserável, de ruína mesmo, que na sua própria deterioração encontra rasgos inesperados de um refinado expressionismo abstrato – força das paredes arruinadas e das tintas expressivas do tempo. (Alcir Pécora)

Capa: Marcelo Girard

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