O panda zen

LÚCIA HELENA DE CAMARGO

(Blog Todas as Telas) –


Alguns programas destinados ao público infantil são um refúgio para quem deseja ligar a TV para relaxar e deixar de pensar, pelo menos por alguns minutos, no periclitante estado de coisas pelo qual passamos, com pandemia, governo leviano e incapaz, e cotidiano difícil. Um desses é “Sereno – O Panda Zen”.

Trata-se de uma animação americana, dentro do catálogo de streaming da Apple TV. O personagem-título chama-se Stillwater, no original em inglês. Se traduzido ao pé da letra, poderia soar como um daqueles nomes indígenas: Águas calmas ou Água parada. Chamá-lo de Sereno é bem adequado. O panda gigante é calmíssimo, pratica meditação e oferece ensinamentos a um trio de crianças de quem é vizinho.

Em um episódio, ele, sentado em sua arejada varanda, pinta um quadro sem pressa. O menino menor (Karl), que está decidido a construir um foguete, passa correndo, pede favores e peças para a sua empreitada. O panda, ainda que interrompido pelos constantes pedidos de ajuda, sempre volta, tranquilamente, à sua tarefa, sem demonstrar a menor perturbação pelas interrupções.

Parábola

O local no qual moram ajuda a manter a paz, é verdade. Há muito verde, um lago com carpas, flores nos caminhos, nenhuma cerca. A cada episódio o panda conta uma historieta que inclui uma lição aplicável ao dia a dia das crianças. Mas nem precisava dessa história embutida. Porque o bacana mesmo é o jeitão pacífico e bonachão do panda e a maneira com a qual ele conduz os pequenos conflitos na narrativa.

E, veja: ele não chega a ser aquela figura que, de tão calma, dá nos nervos. Você sabe do que estou falando. Existem aquelas pessoas que acham que precisam demonstrar uma calma tão monumental e completa que acabam por nos irritar profundamente. Ninguém aguenta ouvir o tempo todo a vozinha de terapeuta corporal do spa Paraíso. Não. Stillwater (ou Sereno) é calmo na medida certa. Às vezes dá broncas. E tem seus defeitos.

A mim, ele conquistou com a episódio da chuva. Michael, o menino maior, fica furioso porque seu jogo de beisebol foi cancelado em razão do tempo chuvoso. Ele então se arma de guarda-chuva, capa e botas, para sair de casa. Stillwater entra com sua parábola para mostrar outros lados da questão. Ao ficar lá, sentado, tomando chuva como alguns tomam sol, dá a lição sobre as diferentes percepções das pessoas diante de fatos e fenômenos da natureza. Afinal, alguns gostam de chuva. E de tomar chuva. Eu gosto. Se quem aprecia vinhos é enófilo, posso dizer que sou uma pluviófila? Adoro ver, sentir, ficar debaixo de uma boa chuva.

Em outro episódio, Sereno ajuda Addy, a menina, a processar a frustração que sente ao ter seus cupcakes destruídos por uma brincadeira dos irmãos.

A inspiração zen-budista é clara, mas não há a uma linha direta com conceitos religiosos. São só histórias leves sobre bondade, amizade, compaixão e a necessidade de, às vezes, a gente se colocar no lugar do outro, para mudar a perspectiva e entender melhor o mundo.

Com cerca de 20 minutos cada episódio, a série pode ser exibida no idioma original em inglês (não há legendas) ou dublada em português.

Na opinião desta jornalista, pode ser aproveitada por adultos e crianças.  

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