Hoje, entrevista com Antônio Grassi

Pressentimentos…

Evandro Affonso Ferreira

Hoje me deu vontade de ler mais uma vez um texto que eu publiquei numa plaquete cujo título é Levaram tudo dele, inclusive alguns pressentimentos…

Pílula do dia

Perguntas insólitas

Bouvard e Pécuchet, de Gustave Flaubert

Trecho de Bouvard e Pécuchet

Entrevista: Antônio Grassi

Mineiro, ator, graduado em Ciências Sociais pela UFMG. Foi Secretário de Cultura do Rio de Janeiro, foi Diretor do Teatro Municipal também do Rio, já presidiu a Funarte; hoje, diretor executivo do Instituto Inhotim. Participou de dezenas de novelas, filmes, teatros. Talentoso, humorado, gente fina.


Grassi lê trecho de meu novo romance, Rei Revés


Evandro Affonso Ferreira – Agora, com o tempo, tenho conseguido polir os avanços com o verniz da parcimônia. E você? Já se afeiçoou aos recuos? É condescendente com os retrocederes?
Antônio Grassi – Com o tempo, vamos conseguindo lidar com a parcimônia (odeio essa palavra). Entendendo melhor que existem duas formas de infelicidade: a primeira, querer muito uma coisa e não conseguir… a segunda: querer muito, conseguir e depois não querer mais!

Evandro – É possível rastrear lampejos?
Grassi – Raramente … os bons lampejos não deixam rastros.

Evandro – Procurar Deus é querer apalpar plenitudes?
Grassi – Com certeza … já corri atrás do Deus de Spinoza, citado por Einstein. Continuo procurando …

Evandro – Você já ensinou seu próprio olhar a refutar angústias e todos os seus apetrechos melancólicos?
Grassi – Nem tentei …

Evandro – Costumo esbarrar, distraído, tempo quase todo na precipitação. E você?
Grassi – Também esbarro sempre. Aprendi a medir a velocidade, regulando a pressa, para diminuir a queda ….

Evandro – Você já aprendeu a farejar com antecedência uma rua sem saída?
Grassi – Evito esse aprendizado, entendo que a rua permite infinitas possibilidades de percurso. Desnecessário achar a saída, melhor curtir a caminhada … afinal a entrada também serve para sair rs.

Evandro – E quando você pretende empreender tarefa de confeccionar caminhos, mas percebe que seus passos não se adaptam às probabilidades peregrinas?
Grassi – Relaxo e gozo … ou tento.

Evandro – Você já inventou, para consumo próprio, símbolo gráfico indicativo para ajudá-lo a seguir os próprios instintos?
Grassi – De forma alguma, os instintos correm soltos.

Evandro – E as certezas? Vida toda ultrapassamos, se tanto, o pórtico do talvez?
Grassi – As certezas? Acho que se derretem com muita rapidez.

Evandro – É possível se preparar para as emboscadas do desprezo?
Grassi – Acho impossível … melhor se preparar para encarar a volta por cima.

As fotos que ilustram esta entrevista são do Museu do Inhotim (Instituto Inhotim), de Brumadinho (MG), do qual Antônio Grassi é diretor-presidente.

Fragmentos

Desatenção, talvez, mas acho que minhas manhãs já amanhecem com erro de pronúncia.

Motejos

Livros de minha autoria

1996Bombons Recheados de Cicuta (Paulicéia)
2000Grogotó! (Topbooks)
2002Araã! (Hedra)
2004Erefuê (Editora 34)
2005Zaratempô! (Editora 34)
2006Catrâmbias! (Editora 34)
2010Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus (Record)
2012O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam (Record)
2014Os Piores Dias de Minha Vida Foram Todos (Record)
2016Não Tive Nenhum Prazer em Conhecê-los (Record)
2017Nunca Houve tanto Fim como Agora (Record)
2018Epigramas Recheados de Cicuta – com Juliano Garcia Pessanha ((Sesi Editora)
2019Moça Quase-viva Enrodilhada numa Amoreira Quase-morta (Editora Nós)
2019 – (Plaquetes) – Levaram Tudo dele, Inclusive Alguns Pressentimentos, Certos Seres Chuvosos não Facilitam a Própria Estiagem e Anatomia do Inimaginável.
2020Ontologias Mínimas (Editora Faria e Silva)
2021Rei Revés (Record)

Foto principal

As fotos que abrem este blog pertencem ao meu futuro livro, Ruínas. Passei um ano fotografando paredes carcomidas pelos becos, veredas, ruas do centro, e de alguns bairros paulistanos.

As imagens apresentam uma concretude pobre e miserável, de ruína mesmo, que na sua própria deterioração encontra rasgos inesperados de um refinado expressionismo abstrato – força das paredes arruinadas e das tintas expressivas do tempo. (Alcir Pécora)

Capa: Marcelo Girard

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