Todos a bordo – Diário de um Pandemônio (Blog Coletivo)

25 DE FEVEREIRO DE 2021

Trinta e seis meses de espera: a vacina que não chega ao país do genocida

FREDERICO MORIARTY

25 de Fevereiro de 2020. Um paulistano que estava em Itália volta ao Brasil com o vírus da Covid no corpo. Iniciava-se ali o ano que não começou.

A letalidade da doença e o grau exponencial de contaminação já eram amplamente divulgados, mas quem iria parar um Carnaval só pra achatar uma curva?

Passados vinte dias, o país resolveu adotar a quarentena. Perdemos aí a primeira batalha.

Iniciou-se uma guerra entre as pessoas de bom senso, os pesquisadores, os cientistas e boa parte dos agentes de saúde contra o canalha e genocida que nos governa, com sua trupe de malucos de uma SS perdida nos trópicos do terceiro mundo.

Vire e mexe, um desses medicozinhos que se arvoram a cientistas andaram receitando gemada de ovo de gansa albina do Alasca para curar a doença. A insanidade chancelada por um diplominha de Hipócrates.

Uniforme da SS nazista dos trópicos

Veio a gripezinha e o ministro da saúde começou a deixar o rei nu, com aquele corpinho de avestruz peludo na praia de Copacabana. Resultado: caiu o ministro. Trouxeram outro, com cara de filme de terror B com olhos e semblante de 20 charutos de maconha.

O presidente cloroquina defenestrou mais um. Botou um general que nunca foi de saúde nenhuma. Homem que acredita existir neve na Amazônia e confunde Amapá com Amazonas quando manda entregar vacinas.

E a população foi se contaminando e milhares de vidas foram ceifadas pela doença. O descaso, o desrespeito, a política antiprevenção e negacionista da Covid levaram os números a índices estratosféricos. O governo é responsável por boa parte das mortes.

A pressão sobre o sistema de saúde virou o esgotamento. Quantas milhares de vidas não se perderam por falta de leitos, UTIs, médicos, enfermeiros e equipamentos básicos estarem 100% direcionados à Covid. Quantas crianças não morreram por falta de atendimento? Afinal, tudo era para a Covid.

Mesmo com tudo isso a curva começou a cair em setembro. O povo saiu às ruas comemorar. Veio o fim do ano e a festa foi total. Pra piorar tínhamos a vacina chegando. Abandonaram-se máscaras, distanciamento e isolamento sociais, álcool em gel, tudo virou meme. Praias lotaram, festas pra todo lado. Tragédia anunciada.

Passada a farra do boi (ou burros, tamanha a ignorância das pessoas) apareceu o resultado: hoje completamos 37 dias seguidos de mortes na casa dos 1.000 óbitos diários. A média de mortes é a maior desde o início da pandemia. Em plena segunda curva, o caos se tornou presente em vários sistemas de saúde.

Hoje, faz exatamente um ano do início da Covid. Passamos dos 251 mil mortos. Cerca de 11 milhões de infectados. Hoje, tristemente, tivemos o maior número de falecimentos num dia desde o início da Covid: 1582 (mais do que o número total de 110 países). O Brasil é o 3° país com mais casos no mundo e o 2° com maior número de óbitos.

A gripezinha matou mais de 20 mil brasileiros por mês, algo tristíssimo. Só pra se ter ideia de comparação, a média de mortes por gripe entre 2014 e 2019 foi de 707,3. Na prática, em um só dia, a Covid matou mais do que dois anos de gripe. E muitos ainda tripudiam da doença. Genocidas!! Sádicos que satirizam a imensa dor alheia.

Mas temos a vacina. Ou quase. A incompetência e a inconsequência do atual governo são tão grandes que eles passaram dois meses brigando contra países e laboratórios para a produção da vacina. Fomos um dos últimos a iniciar a imunização de sua população.

Por conflitos e corte de verbas dos institutos de pesquisa, a produção é lenta. Vacinamos pouco mais de 6 milhões de pessoas no Brasil. Nesse ritmo terminaremos de vacinar todos daqui a 36 meses!!

Infelizmente, ainda teremos de chorar muitas mortes. Mais de 1,5 milhão de pessoas a cada 30 dias ainda serão contaminadas. A pandemia está acabando. Menos no Brasil de Bolsonaro.


24 DE FEVEREIRO DE 2021

De causar inveja e engulhos a George Orwell, o BBB 21 cancela, controla e aprisiona mentes

MARCO MERGUIZZO

Desenho / Crédito: Angel Boligán

Produto de consumo ainda em alta na TV aberta brasileira, uma coisa inacreditável após 21 anos ininterruptos de exibição, o programa Big Brother Brasil, um dos carros-chefe da programação da principal emissora do país, é um case de lixo cultural de sucesso que só se explica por ocorrer aqui, na Terra Plana Brasilis.

Como um grande imã mesmerizante de mentes e telespectadores alienados, de causar inveja e engulhos a George Orwell, pseudônimo do escritor e ensaísta inglês Eric Arthur Blair (1903-1950), o visionário autor de 1984, obra de ficção antológica que criou o conceito e a expressão originais de big brother (representação do controle social do Estado através da espionagem tecnológica e invasão de privacidade dos cidadãos), esse highlander da telinha reflete em boa medida o grau de inconsciência coletiva e social e a inversão de valores da sociedade brasileira dos dias atuais.

Em tempos de tragédia humana que a cada dia enterra mais de 1.000 pessoas vítimas da covid e da omissão da necropolítica do Estado, boa parte da população de todas as classes sociais para bovinamente diante da TV para assistir a eliminação ou o cancelamento, termo da moda e mais atual, dos participantes da recente edição da sandice.

Afinal mais do que vidas e da realidade insuportável dos tempos atuais, dos corpos empilhados, do preço da gasolina e do botijão de gás nas alturas, o importante é dar likes, palpitar, julgar, salvar ou condenar figuras virtuais e idealizadas e não raras vezes fictícias, como se fazia por sinal os imperadores tiranos de outrora nos circos romanos, há mais de 2.000 anos, posicionando o polegar para cima ou para baixo, só que agora no anonimato das redes sociais e no conforto do sofá. O direito à vida e à morte e o regozijo individual e coletivo agora são decididos no teclado do celular a um simples toque do indicador.

Desde sempre, o homem é o lobo do homem.

Prostradas, as atuais gerações de telespectadores e cidadãos passivos e amorfos, bem como nosso presente e futuro, foram jogados a eles, aos leões e aos ratos.

Salve-se quem puder.


Desenho da capa / Crédito: Santiago Vecino

19 DE FEVEREIRO DE 2021

Um país refém do debate binário, da negação da ciência e do atraso sem fim

MARCO MERGUIZZO

Cartum / Crédito: Kleber Sales

Sem conseguir exorcizar até agora a anacrônica polarização entre esquerda e direita, o que acabou contribuindo para a vitória eleitoral e a própria narrativa de intolerância do atual ocupante do Planalto, cuja gestão desastrosa nos conduz a passos largos rumo ao desastre econômico e social – o binarismo volta a nos atormentar com uma nova pugna, de contornos surreais, em pleno século 21, entre o conhecimento científico e a atroz ignorância, amplificada pelos grupos de WhatsApp.

Agora, a peleja da vez é travada nas ruas, nas discussões em família, com os amigos e nas redes sociais, entre os que são a favor da vacina e os negacionistas anticiência contrários ao seu uso contra a covid-19, cujo flagelo já ultrapassou os 243 mil brasileiros mortos, deixando o “Titanic Brasil” na vice-liderança do ranking macabro de vítimas do coronavírus, atrás somente dos EUA.

Criação / Crédito: Claudio Duarte

Definitivamente é uma guerra de surdos, medieval, rancorosa e sem vencedores. Um pesadelo protagonizado por uma legião de zumbis e lúmpens aloprados devotos da bala e da morte.

A banalização da doença, a começar pelo próprio presidente da república, a falta de estratégia governamental e a inoperância em produzir, comprar e fornecer vacinas suficientes para imunizar a população, como os demais países sérios do mundo, faz com que a situação brasileira se agrave ainda mais, aumentando o sofrimento individual e coletivo, sobretudo daqueles mais desassistidos e vulneráveis, formando uma crescente multidão de seres invisíveis, sob o olhar do Estado omisso e o mantra inculcado do Deus mercado.

Desenho / Crédito: Angel Boligán

Sabe-se que não há tratamento eficiente contra à Covid-19, assim, a vacina é o único meio eficaz de prevenir contra a doença e conter a pandemia e grande esperança por dias melhores e para a retomada da vida e da própria economia. Argumentos contrários, suposições absurdas e fake news são puro delírio de gente irresponsável.

Que, oxalá, o conhecimento científico e a razão iluminem as trevas da ignorância. E a vida, enfim, vença as sombras da morte que hoje nos cercam e ameaçam o presente e o futuro de um país inteiro.

19 DE FEVEREIRO DE 2021
Criação / Crédito: Claudio Duarte
16 DE FEVEREIRO DE 2021

As charges campeãs das redes sociais do Carnaval 2021

Charge / Crédito: Quino (@QuinoCartum)
Charge / Crédito: Gilmar
Charge / Crédito: Jota Camelo
Criação / Crédito: Beto (@betocartuns)
Criação / Crédito: Renato Aroeira
Criação / Crédito: Nando Motta
Criação / Crédito: Jean Galvão
13 DE FEVEREIRO DE 2021

Carnaval 2021: Alôôôôôôô, Unidos da Cloroquinaaaaaaa!

Vídeo / Crédito: Canal GNT – Youtube

10 DE FEVEREIRO DE 2021

Laranjal mecânico

MARCO MERGUIZZO

(Foto: Arquivo)

Meninote de tudo, tinha meros 7 de idade, quando chamou minha intenção esta foto perturbadora do personagem transgressor interpretado magistralmente pelo ator inglês Malcolm McDowell, em A Clockwork Orange (de 1971; filme icônico e impactante cujo enredo foi baseado no romance homônimo de Anthony Burguess, de 1962), do mesmo diretor de 2001, Uma Odisseia do Espaço (1968), o genial Stanley Kubrick.

Uma década depois, já adolescente ultracomportado e pra lá de alienado, naqueles tempos de “abertura segura, lenta e gradual” do governo Geisel, assisti a esta película premonitória do que o Brasil se tornaria nos dias de hoje.

O pior, no entanto, é sentir hoje o gosto amargo de estar testemunhando um movimento contrário ao daqueles idos: o de um retrocesso político e social sem precedentes e o completo desmonte de nossas instituições e das conquistas democráticas duramente obtidas com a luta e o sangue de centenas de brasileiros mortos pela Ditadura Militar.

Pergunta que não quer calar: aquela foi uma luta vã?

Desafortunadamente, o cenário distópico, sombrio e violento daquele clássico kubrickniano das telonas virou realidade, meio-século depois. Hoje, porém, a delinquência, quem diria, é promovida e praticada pelo próprio Estado. Um Estado corrupto, irresponsável e genocida. Nossa infeliz realidade deu de 7 a1 na ficção.

Mas o pior, o pior mesmo, é que a plateia anestesiada e deliberadamente omissa, alheia e indiferente a esse show de horrores, assiste a tudo num estado de permanente torpor. Nenhum pio. Nada de nada. Um silêncio ensurdecedor.

Decepcionante demais para um “sonhador” como eu.

Charge / Crédito: Dinho Lascoski

Prostrada, cega e muda, dela sequer um “patriota indignado” ensaia uma sonora vaia, “joga ovos” ou sai às ruas para protestar contra os canastrões da ópera-bufa que hoje atuam nos palcos de Brasília e são os protagonistas desse grande circo chamado Brasil.

Despertem, “cidadãos de bem”, pois já passou da hora de vocês acordarem!

No lugar do copo de leite, bebida predileta e sorvida como um símbolo de deboche pela gangue de Alex, o personagem de McDowell no filme de Kubrick, o atual governo e sua claque de apoiadores agora preferem brindar e aplaudir seus malfeitos com suco de laranja.

O laranjal mecânico é aqui.


7 DE FEVEREIRO DE 2021

Flagelo

TODOS A BORDO (DIÁRIO DO PANDEMÔNIMO) -
Cartum / Crédito: Renato Aroeira

MARCO MERGUIZZO

Duzentos e trinta mil brasileiros mortos.
Além de vidas, a arminha pérfida e insidiosa tenta matar as ciências e a vacina.
A arte e a criatividade.
A educação e a cultura.
O jornalismo e as “true news”.
A empatia e a alegria.
A tolerância e a fraternidade.
Mas, o pior, o pior de tudo, meus caros, ela querer com as mãos pejadas de sangue roubar sonhos, chacinar nossa utopia, torturar e flagelar nossa fé, assassinar nossa esperança.
“Eu não vim para construir”, cunhou o malsinado “Exterminador do País”.
Não vão passar, não passarão.
Vamos resistir.
Permaneçamos fortes.
E juntos.

Charge / Crédito: Beto (@betocartuns)
Caricatura/ Crédito: Claudio Duarte

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