Matriarcado anticolonial com Daia Moura

JOSÉ SIMÕES (DOIS ANOS DO COLETIVO TERCEIRA MARGEM). No último dia 11 de março aconteceu o bate papo com a pesquisadora e artista Daia Moura sobre o Matriarcado Anticolonial, dentro da programação do I Festival de Artes Integradas Online, organizado pela Cia Som em Prosa.

Daia propõe que ao discutir o matriarcado significa pensar numa outra lógica de visão de mundo, de organização familiar e, também, interna. A própria ideia de matriarcado se opõe, segundo a pesquisadora, a todo contexto colonialista e arremata: mais importante que falar sobre o matriarcado e encontrar formas de vivencia-lo.

De modo fime Daia Moura construiu a discussão do tema do matriarcado tocando em situações espinhosas, por exemplo, a questão da noção do empoderamento feminino que algumas vezes pode esconder, apesar das boas intenções, a noção colonial e patriarcal. Apontou a importância da cumplicidade resistente das mulheres, tal como uma confraria, como no caso quando num casal o homem adoece, quem cuida é a mulher. Porém se é a mulher que adoece quem cuida dela, em muitos casos, não é o homem e, sim, a rede mulheres próximas: a irmã, a mãe, a tia, a vizinha, a sobrinha, etc. Noutro momento falou da questão da existência negra, do corpo negro e ilustrou uma situação vivida no teatro, ao ouvir que não podia interpretar a personagem Julieta porque não tinha o perfil. Era negra. Se ela quisesse fazer a personagem esta personagem no teatro teria que montar o seu grupo e, mesmo assim, ela certamente ouviria que a montagem seria uma releitura negra da peça.

A pesquisadora trouxe na bagagem, durante o bate papo, referências de Sueli Carneiro (Racismo, Sexismo e Sexismo no Brasil), Joice Berth (O que é empoderamento), Angela Davis (A liberdade é uma luta constante), Conceição Evaristo (Insubmissas Lagrimas de Mulheres), dentre outras.

Daia Moura é artista, performer, negra, periférica e sorocabana. Não abre mão de falar a partir do seu lugar de vida e ação. Suas contribuições, certamente, irão contribuir no pensamento das questões do feminismo na cidade de Sorocaba e Região. Esta nova geração de artistas pensadores, que desponta em Sorocaba, nos enche de orgulho e esperança por dias melhores.

1° FESTIVAL DE ARTES INTEGRADAS ONLINE DA CIA SOM EM PROSA

O 1° Festival de Artes Integradas Online acontece de 7 ao 20 de março. O Festival conta com 46 ações gratuitas online para todas as idades. Espetáculos de Circo, Cultura Popular, Dança, Música, Performance e Teatro. Além de formações nas áreas de dança (com Douglas Emilio), circo (com Geisa Helena), música, cultura popular (com Ramom Vieira), performance (com Janaína Leite) e teatro (com Tulio Crepaldi); bate papos voltados à formação de público com artistas convidados das áreas de dança (com Daia Moura), dramaturgia (com Débora Brenga), circo (Alexandre Malhone), dança (Douglas Emílio), teatro de grupo e produção cultural (Carlos Doles); contará com a produção de 4 episódios do podcast “Veias Abertas em Terra Rasgada.

A realização do festival é da Cia Som em Prosa (Ana Antunes e Tulio Crepaldi), com o apoio do ProAC Lei Aldir Blanc do Estado de São Paulo, edital estadual 40/2020.

Serviço

Para assistir o bate papo com Daia Moura: https://www.facebook.com/ciasomemprosa/videos/1417619891923156

Para acompanhar o festival: https://www.facebook.com/ciasomemprosa/

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