Os muitos tons do branco

LÚCIA HELENA DE CAMARGO (Blog Todas as Telas)

O mal sem culpa, como parte do cotidiano. Esse é o personagem principal do filme “A Fita Branca” (Título original: Das weiße Band – Eine deutsche Kindergeschichte; produção: Alemanha / Áustria). Lançado em 2009, seu enredo traz certo estado de coisas que pode ser comparado a diversos momentos da história, em contextos variados, porque trata, no final das contas, das mazelas da alma humana.

O longa de Michael Haneke, ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 2009, se passa às vésperas do início da Primeira Guerra Mundial, em 1913, em um vilarejo alemão. Alguns episódios inusitados começam a ocorrer, como o acidente envolvendo o médico (Rainer Bock), que andava a cavalo; o violento e misterioso bullying contra o filho do barão (Ulrich Tukur), o ricaço e mandachuva da comunidade; a morte do pássaro de estimação do pastor (Burghart Klaußner), entre outros acontecimentos pouco explicados, que vão se somando ao dia a dia da pequena localidade.  

O professor da escola local (Christian Friedel), narrador da trama, vai descortinando faces ocultas das personalidades, enquanto conta também os percalços de sua própria trajetória, nas tentativas de namorar a babá dos filhos do barão.  

Há na comunidade um menino com problemas mentais e um grupo de crianças que canta no coral da igreja. A fita branca do título é amarrada no cabelo da menina Klara (Maria Dragus), filha do pastor, de modo que o branco simbolize a inocência e a pureza.

Trailer

No entanto, o desenrolar dos fatos em “A Fita Branca” – alguns mostrados, outros apenas sugeridos – vai deixando cada vez mais evidente que ninguém ali está livre de máculas. Com a possível exceção do pequeno Gustav (Thibault Sérié), todos os demais parecem ter algo a esconder. Uma desonestidade aqui, uma mentira acolá, uma inveja ensandecida em outro canto, chegando a crimes mais sérios e graves.

O professor, único que parece tentar buscar a raiz dos problemas com objetivo de  extingui-los, enfrenta a inação dos conservadores, que preferem fechar os olhos a qualquer discrepância a mudar seus status sociais e econômicos, e se abrigam na hipocrisia confortável.

Enfim, chega 1914 e a guerra começa. O mal profundo, infiltrado de maneira insidiosa nos corações e mentes, deságua no conflito, cujo ódio se retroalimenta.

Nesse momento iniciaria sua trajetória na Alemanha o ditador que ficaria conhecido como o maior genocida da história, figura que movia multidões a acreditarem nas barbaridades que pregava. Ele, que não tinha interesse pela vida ou pelo bem estar das pessoas, mandou matar milhões, movido apenas por seu projeto de poder e conquistas.

Não preciso dizer o nome dele. O sujeito começou a “carreira” na Alemanha em 1913, quando se mudou da Áustria para lá. Assim como não preciso falar mais nada para pensarmos juntos nos paralelos com o “nosso” tosco e ignorante genocida nacional.

O mal, uma vez identificado, precisa ser combatido.

PS: Se alguém se interessar em assistir a esse filme e quiser o DVD, tenho aqui. Posso doá-lo, porque estou tentando manter em casa menos objetos, numa meta de minimalismo. Se estiver em São Paulo, você pode retira-lo aqui na Lapa (cep 05056-000). Ou combinamos um local de entrega em Sorocaba (vou para a cidade depois de 10 de abril). Ou ainda, me manda uma mensagem (luciahcamargo@uol.com.br), se achar que vale a pena pagar o frete, e coloco no correio.

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