A simbologia da celebração à mesa, o valor da resistência e a magia das HQs do pai de Asterix, Obelix & Cia. – merci, monsieur Uderzo!

MARCO MERGUIZZO – Ao lado do roteirirista René Goscinny, seu par de criação inseparável na produção de quadrinhos fenomenais e de altíssima qualidade, o traço inconfundível do desenhista francês Albert Uderzo (1927-2020) encantou várias gerações não só leitores que amam as velhas HQs – impressas em papel, sublinhe-se, e não as digitalizadas ou os desenhos animados das telonas, como este “blogueiro analógico” -, mas para inúmeros quadrinistas do mundo todo, durante o último meio-século, e mesmo até hoje.

Há cerca de um ano, mais precisamente em 24 de março de 2020, morria desafortunadamente, para os fãs do gênero, o pai da turma do Asterix e dos temidos bárbaros da aldeia gaulesa dos desenhos animados. Em edições antológicas de lombada quadrada, lançadas entre os anos 1960 e 1990, essa turminha da pesada e para lá de engraçada resistia bravamente aos ataques do temido exército romano, imputando-lhes derrotas fragorosas e vexatórias.

Como uma espécie de remake em gibi da pugna bíblica entre David e Golias, e da vitória improvável, na maioria das vezes, do mais frágil e vulnerável contra o mais forte e poderoso.

Claro, o gran finale sempre terminava em festa em torno da mesa, onde eram servidos banquetes homéricos, à luz de uma grande fogueira, para celebrar mais uma vitória dos bravos e incansáveis resistentes contra os indesejados invasores.

Criador entre suas principais criaturas: HQs para se devorar com os olhos

Imaginado por René Goscinny e Albert Uderzo, a série de histórias em quadrinhos Asterix surgiu no ano de 1959 e é baseada no povo gaulês, que habitou a Gália, região que compreende hoje a França, Bélgica e Itália. As primeiras publicações aconteceram na revista Pilote.

Com roteiros e storyboards ultrainventivos, concebidos e estruturados como num filme, as edições primorosas de Asterix mesmerizava não só a molecada mas os marmanjos. Além do seu precioso legado e ensinamentos como indignação, resistência e luta e muito bom humor, tão raro nos tempos atuais, o pai da turminha do Asterix deixou uma enorme saudade na legião de fãs quarentões e cinquentões e leitores de todas as idades.

Merci beaucoup, monsieur Uderzo!

Raio-X: a ascendência italiana, a vida e a obra preciosa do pai da turma do Asterix

Um francês de alma peninsular

Filho dos imigrantes italianos Silvio, de origem vêneta, e Iria Crestini, natural da Toscana, Albert Uderzo nasceu em Fismes, Marne, nordeste da França, na famosa região de Champagne, célebre mundialmente por produzir e ter criado o mais cobiçado dos rótulos da adega – o champanhe – vinho borbulhante irresistível que virou sinônimo de espumante.

Habilidades de um quadrinista promissor

O pequeno Albert cresceu em Clichy-sous-Bois, subúrbio de Paris. Sua estreia nos quadrinhos foi em 1934, aos meros 7 anos, com a revistinha Mickey’s Journal, elaborada precocemente no mesmo ano em que a família Uderzo se naturalizou. Daltônico e nascido com seis dedos (operado quando bebê), ele começou a desenhar bem cedo – e muito bem, diga-se -, um talento inato e incomum.

Durante a infância Uderzo desejava ser mecânico de aviões, embora já exibisse um talento precoce para as artes. Desde essa época, seus desenhos já revelavam um certo pendor para as artes gráficas, com seu traço inconfundível, riqueza de detalhes e técnica impressionante. Autodidata e exímio desenhista, preenchia os cadernos escolares com esboços surpreendentes, alguns deles, de colunas romanas, que consagraria nas sagas de Asterix. Aos meros dez anos, já rabiscava personagens narigudos. Apaixonado pelos heróis do ídolo norte-americano Walt Disney (1901-1966), já na adolescência, sonha em trabalhar na indústria dos filmes de animação.

A ida para a Bretanha, durante a II GG

Durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem Uderzo deixou Paris e viajou para a Bretanha, onde trabalhou em uma quinta, e ajudou o seu pai no negócio de mobílias. Anos mais tarde, ao optar-se por uma localização adequada para a aldeia gaulesa central da série Asterix, René Goscinny deixou essa decisão a Uderzo, que prontamente optou pela Bretanha.

A carreira: os seus inícios

Uderzo iniciou a sua carreira de artista em Paris depois da guerra, em 1945, com Flamgerge ou Clopinard, um pequeno idoso perneta que venceu todas as contrariedades. Já em 1947-1948, criou novos personagens, tais como Belloy e Arys Buck.

Apresentação ao seu eterno parceiro

Em breve, iria cruzar com uma pessoa que mudaria completamente sua vida. Numa bela manhã de 1951, informam Albert Uderzo da vinda de um novo colega, chamado “Gossini”. Ao ouvir este nome, as raízes italianas de Albert entram em ebulição. “Não, o nome dele escreve-se G-O-S-C-I-N-N-Y. É francês e vem dos Estados Unidos.” Naquele instante, ali nascia a parceria e uma amizade profissional e pessoal inquebrantáveis.

Em 1952, ambos decidem se unir para trabalhar juntos na delegação de Paris da empresa belga World Press. Os seus primeiros trabalhos foram Oumpah-pahJehan Pistolet e Luc Junior. Em 1958, as aventuras de Oumpah-pah foram adaptadas e publicadas na revista Le Journal de Tintin, até 1962.

Crescimento da parceria e o surgimento da série Asterix

Em 1959, Goscinny tornou-se um editor e Uderzo um diretor artístico da revista de banda desenhada para crianças Pilote criada em 29 de outubro. A primeira edição da revista publicou pela primeira vez a série Asterix, a qual tornou-se um êxito na França. Em 1961, após dois anos a serem publicadas na revista Pilote, as histórias da exitosa nova série foram publicadas individualmente em livro – o primeiro, chamando-se Asterix, o Gaulês.

A consolidação da saga dos bravos gauleses
Uderzo na prancheta: exímio desenhista

As 38 aventuras da série foram foram traduzidas para cerca de 80 idiomas, inspirou 13 adaptações para o cinema, além de jogos, brinquedos e até mesmo um parque temático. Em 1967, depois do êxito do primeiro livro, ambos os autores decidiram dedicar-se apenas a essa série.

Ele também gostava de Mickey Mouse, cujas aventuras aparecem em Le Petit Parisien e descobriu um pouco mais tarde o personagem de Popeye, que se tornou para ele uma inspiração (leia meu post sobre esta icônica criação das HQs e outras figurinhas carimbadas dos gibis que são boas de garfo, clicando em cima do nome ou no final deste artigo, logo abaixo).

Albert gosta de desenhar, mas também tinha vontade de ser mecânico de aviões. Foi seu irmão, Bruno, que estabeleceu o primeiro marco em sua futura carreira artística, apresentando-o à editora parisiense (SPE), que publicou livros e revistas para crianças. Ele tinha 14 anos.

Uderzo e Goscinny: dupla inseparável

É nesta casa, onde ficou por um ano, que Uderzo aprendeu o básico da profissão: letras, calibração de texto, edição de imagens. Ele também conseguiu colocar algumas ilustrações, como uma paródia da fábula The Raven and the Fox,  nas páginas da revista Junior. Foi também lá que ele conheceu o autor dos quadrinhos Edmond Calvo, que o encorajou a persistir no desenho.

Em 1947, ao regressar do serviço militar, torna-se “repórter-desenhista” no “France-Dimanche“, e trabalha para duas agências noticiosas, estruturas pequenas com o modesto nome de World Press e International Press, onde conhece Jean-Michel Charlier e Victor Hubinon, entre outros futuros grandes nomes da turma dos desenhos em quadrinhos.

Asterix: garantia de diversão e ótimas risadas em edições primorosas

Mesmo depois da morte prematura de Goscinny em 1977, Uderzo seguiu a ilustrar os livros da série (a uma média de um álbum a cada três a cinco anos, comparados aos dois livros, por ano, em vida de Goscinny). A autoria dos livros ainda indica Goscinny e Uderzo.

Em 1956, Albert Uderzo cria com René Goscinny, Jean-Michel Charlier, Jean Hébrard e François Clauteaux a revista Pilote, um grande semanário para os jovens. No dia 29 de outubro de 1959, o número UM da Pilote apresenta, na página 20, a primeira prancha das Aventuras de Asterix, o Gaulês, aos seus leitores. A revista obtém um êxito instantâneo e a jato: mais de 300 mil exemplares vendidos no primeiro dia!

Durante algum tempo, a dupla de autores continuar a perpetrar algumas séries, individualmente ou em conjunto. Mas a partir do álbum “O Escudo de Arverne“, Albert Uderzo decide dedicar-se exclusivamente ao pequeno herói gaulês e abandona as suas outras personagens. No dia 5 de novembro de 1977, dá-se o trágico acontecimento: René Goscinny morre durante uma prova de esforço durante um check-up. Tinha 51 anos. O choque é terrível para o amigo e companheiro de trabalho, Albert Uderzo.



A partir dessa altura, Uderzo retoma sozinho as aventuras do herói gaulês e cria Les Éditions Albert René. Na capa estampa uma careta a todos aqueles que, em grande número, haviam vaticinado a morte de Asterix. A partir daí, Uderzo retoma a caminhada, apoiando-se nos 26 anos de cumplicidade com René Goscinny, e passa a escrever os roteiros primorosos e a desenhar novos álbuns aprovados pelos leitores de Asterix, cada vez mais numerosos.

Em cinquenta anos, Asterix se transformou em um fenômeno no mundo editorial. Os números falam por si: 34 álbuns traduzidos em 107 línguas ou dialetos, 11 filmes, um parque temático com seu nome, centenas de produtos licenciados e um sem-número projetos colecionados ao longo de mais de meio-século.

Nos últimos anos de sua vida, Uderzo enfrentou uma batalha judicial contra sua própria filha, Sylvie, pelo legado de Asterix, certamente um tremendo dissabor e uma de suas contendas pessoais mais amargas. A briga nos tribunais havia começado em 2007, quando ela e o marido foram destituídos do patrimônio de Uderzo.

Em 2013, o artista chegou a processar a filha por assédio. No ano seguinte, o lendário quadrinista encerraria a disputa com a única herdeira após um bem-vindo armistício paternal-filial. De acordo com a imprensa francesa, ambos teriam hasteado a bandeira branca e declarado, enfim, o desfecho desta batalha inglória.

Merci encore une fois, monsieur Uderzo!


Tudo termina em pizza? Nãão, em javali!!!

Prato predileto da turma do Asterix, o javali é a pièce de résistance e a iguaria com a qual os festivos e lautos banquetes dos bárbaros guerreiros gauleses comemoram as suas seguidas vitórias impostas ao sempre derrotado exército romano. Em verdade, as humilhações eram turbinadas por uma poção mágica perpetrada por Panoramix, o sábio druida da tribo, uma espécie de sacerdote ou guia espiritual que era uma figura proeminente no interior da Inglaterra, Irlanda e, nas aldeias celtas da antiga Gália, a atual França.

Javali, um velho e conhecido pitéu

Nome científico: Sus scrofa 

Origem: Norte da África e sudoeste da Ásia. O pitéu preferido de Asterix, Obelix & cia. é um animal muito antigo, retratado nos desenhos rupestres dos homens das cavernas. O sabor de sua carne, tamanho e ferocidade fizeram sua fama desde a Idade Média. Tataratataravô do nosso porco doméstico, ele é resultado de vários cruzamentos. Da África, migrou para a Europa, onde se disseminou em função de sua capacidade de adaptação. Na América não é catalogado na fauna nativa, por isso ser considerado um animal exótico.     

Onde vive: Regiões úmidas e brejosas, cobertas de matas florestas. Tem o hábito de repousar numa fossa cavada no solo raso e de tamanho que lhe permita alojar todo o corpo. Há várias raças de javali na Europa, na Ásia e na África, como o Javali-de-bigodes-branco (Sus scrofa leucomystax), subespécie japonesa, e o Javali-barbado (Sus barbatus), que vive em Bornéu. Os animais criados no Brasil têm várias procedências, como Canadá e França.   

Aparência: o javali comum caracteriza-se por possuir orelhas ovais e pilosas, cauda de tamanho médio terminada por um tufo de pêlos. Animal robusto, perfil afilado, membros fortes e ágeis e focinho longo. Seu peito e espáduas são muito poderosos. Dotado de dois pares de presas que, nos machos mais velhos, chegam a medir 15cm.

Hábitos: o javali é onívoro, isto é, alimenta-se praticamente de vegetais e carne de pequenos animais. Vive em bandos, tem hábitos noturnos e faro e audição aguçadíssimos. Porém, enxergam mal. Não ataca seres humanos a menos que se sinta ameaçado. Durante o dia, fica abrigado no mato fechado, dormindo preguiçosamente. No fim da tarde, sai para procurar alimento. Como o veado, o javali fareja a presença do homem a 500 ou 600 metros e para sempre que cruza uma pista recente deixada pelo homem.                    

Carne: seu gosto lembra a carne suína, mas mais potente e com menos colesterol e gordura. Em comparação à proteína bovina, apresenta 85% menos calorias, 31% mais proteínas, 15% mais minerais e cinco vezes menos gorduras. O índice de colesterol é próximo a zero.               



Animaaaaal!!!!!!!

No Oriente, cachorro é manjar dos deuses. Na Itália, cavalo é iguaria. No seu próximo jantarzinho a dois, arme a artilharia contra o preconceito à mesa e trace, sem dor na consciência, aquela caça que você sempre quis devorar

As chamadas carnes de caça, algumas delas pra lá de exóticas, sempre atraíram os  comilões e gourmets de plantão através dos tempos. Javalis e perdizes, por exemplo, foram os primeiros animais selvagens a serem documentados na história da gastronomia. Durante o Império Romano, essas iguarias eram temperadas com vinho, alho e louro e saboreadas como manjar celestial. Caçar animais silvestres hoje, porém, tornou-se politicamente incorreto. No Brasil, inclusive, é um crime inafiançável, segundo as normas ambientais em vigor.

Fora isso, há uma outra questão: o tabu alimentar. Na China, por exemplo, pênis de tigre e gafanhoto frito são manjares divinos. Na Itália, cavalo é iguaria. Hábitos exóticos, repulsivos e desumanos? Depende. O que se come à mesa é uma questão cultural, sobretudo. Enquanto achamos normal comer um hot-dog no carrinho da esquina, esse tipo de alimento, junk food, provocaria por certo engulhos em tribos primitivas do Bornéu.

“O gosto por carnes e comidas exóticas não é uma questão meramente gastronômica. Em países pobres, cães, macacos e insetos são uma fonte alternativa de proteína para populações carentes”, explica a nutricionista Neide Rigo. “Carnes de caça, por sua vez, como veados, jacarés e javalis, são ricas em ferro e menos calóricas que as de animais confinados em cativeiros, já que aqueles se exercitam e têm menor grau de gordura”, diz a especialista (para ler mais sobre este tema e pasteurização do gosto, clique aqui).

De fato, além do sabor marcante e diferenciado desses animais, a grande atração de algumas carnes exóticas é o seu baixo valor calórico. Enquanto um bife de carne bovina tem em média 230 calorias, o de jacaré tem 108. Já o de capivara, 135. Pois, então: arme a artilharia contra o preconceito à mesa e devore, sem dor na consciência, aquela caça que você sempre sonhou traçar.

Caçada legal

Cutia: o pequeno roedor é criado em cativeiro para abate

Antes de calçar as botas e aquele seu chapéu de Crocodilo Dundee, porém, confira aí o que diz a lei: “Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da Lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção das espécies ou submetam os animais à crueldade”. Órgão responsável pelo controle e fiscalização ambiental no Brasil, incluindo a caça de animais silvestres, o Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais – utiliza o artigo acima, o 225, da Constituição de 1988, mais a Lei de Fauna, a de número 5.197/67, para dar em cima daquela turma barra pesada que insiste em dar uma de Rambo da floresta.

A legislação brasileira elimina a caça profissional e o comércio deliberado de espécies da nossa fauna. Portanto, a chamada caça predatória é um crime inafiançável. Legalmente, quem faz este tipo de comércio também precisa de autorização do Ibama. Por outro lado, as normas ambientais em vigor facultam a prática da caça amadora em determinados casos e lugares.

Isso vem favorecendo, nos últimos anos, a abertura e o funcionamento de criadouros para abate de algumas espécies silvestres, como estratégia de manejo. Desse modo, para que o seu tiro não saia pela culatra, acerte o bicho certo, no lugar certo e seja um rei do gatilho legal.


É o bicho!!!

Conheça outros animais silvestres criados em cativeiro, cuja caça e comercialização são permitidos no Brasil

Avestruz

Nome científico: Struthio camelus                 

Origem: Norte da África

Onde vive: O “Papa-léguas” silvestre costuma viver em campos e bosques secos e abertos das savanas africanas. Já o domesticado é confinado em fazendas e criatórios para fins comerciais.  

Aparência: Ave de grande porte, é considerada a maior e mais desengonçada do planeta. De pescoço enorme, pode alcançar até de 2,7 metros de altura, 150kg em média e viver até os 70 anos, se não pintar pela frente, claro nenhum predador natural, ou de rifle em punho. São cobertos por penas pretas possuindo plumas brancas nas pontas das asas e cauda. As  fêmeas são menores e de plumagem cinza. Há três espécies principais: a Red Neck, a Blue Neck e a African Black (ou Black Neck). 

Hábitos: Ave rústica, o avestruz se adapta com facilidade a qualquer clima. De hábitos diurnos, não voa, porém é um emérito velocista, e tem músculos peitorais desenvolvidos.

Carne: Com baixo teor de gordura e colesterol, apresenta sabor semelhante à da carne bovina, porém, é mais vermelha, leve e doce que aquela. Concentra maior quantidade de carne no dorso e coxas.  Seu couro e suas plumas, de quebra, têm bom valor comercial.     

Capivara

Nome científico: Hydrochoerus hydrochoeri

Apelidos: Carpincho (Argentina); chiguiro (Colômbia); chiguire (Venezuela)

Origem: o maior roedor do mundo é típico da América Central e do Sul. Seu nome em tupi-guarani, significa “comedor de capim”.   

Onde vive: Por certo não são as águas poluídas do rio Tiête, em São Paulo (embora algumas desavisados, vez ou outra, nadem por ali). As ditas cujas preferem o paraíso das florestas úmidas e secas, pastagens próximas à água (região dos Lhanos e pantanal), localizadas desde o Norte argentino até o Panamá, na América Central.

Aparência: Com pelagem grossa e acastanhada e reflexos escuros e avermelhados, a capivara tem quatro dedos nas patas dianteiras e três nas traseiras. Ostenta, ainda, superdentões: seus incisivos têm 1cm de largura e são afiados, capazes de cortar troncos de árvore. Quando adulto chega a medir de 1 a 1,30 m de comprimento e 0,50m de altura. É muito difícil diferenciar à primeira vista os machos das fêmeas, porque todos têm os órgãos genitais bem próximos do ânus, e encobertos. É mais fácil perceber a diferença pelo calombo que o macho tem entre o focinho a testa, uma glândula de odor forte e característico que ele esfrega nas fêmeas conquistadas, nos filhotes e nas árvores, para marcar seu território.

Hábitos: a capivara vive em manadas e tem hábitos noturnos. De manhã, descansa na sombra. À tarde gosta de nadar. Herbívoro, sai à noite sai para alimentar-se. Atleta e exibicionista sexual, acapivara prefere namorar em águas não muito profundas. O macho chega a cobrir as fêmeas quinze vezes seguidas, em menos de cinco minutos.  

Carne: parece lombo de porco, mas mais seca. Pode ser consumida cozida, assada ou frita; seca ao sol (charque); em forma de embutidos ou ainda defumada. Apesar de magra (tem 24% de proteína bruta e ferro, mais que a do porco ou do boi), sua carne também forma toucinho.                                                 

Jacaré do Pantanal

Nome científico: Caiman crcocdilus yacare 

Onde vive: Do norte da Argentina até o sul da bacia Amazônica, mas principalmente no Pantanal matogrossense. O Brasil tem hoje uma população de 20 milhões de jacarés. Desse total, quatro mil são criados em cativeiro.

Aparência: Animal de couro esverdeado-pardacento, tem de 2m a 2,5m, em média, o focinho pouco largo e achatado e o ventre esbranquiçado.

Hábitos: Tem vida quase que exclusivamente aquática. Sai à noite, para alimentar-se de peixes, aves e mamíferos aquáticos. Durante parte do dia, forma grupos, para tomar sol. A fêmea constrói o ninho próximo à água, com folhas mortas, gravetos e terra orgânica. Põe, em média, 25 ovos e sua incubação é de aproximadamente 90 dias.       

Carne: extraída do rabo do Wally, é delicada, magra e macia, lembra o sabor e a textura de peixes nobres.

Predadores naturais: Réptil descendente dos dinossauros, conseguiu sobreviver às grandes transformações do planeta. Menos a da ação do homem “civilizado”, estando hoje incluído na lista dos animais ameaçados de extinção, segundo o IBAMA, especialmente o jacaré de papo amarelo. Sua extinção deve-se não à sua caça mas a destruição do seu habitat, como a poluição dos rios, a drenagem de pântanos, o aterro de alagados e a derrubada de matas de restinga. Sua caça é proibida.

Para ver e curtir:
Asterix e Obelix – 2020
Asterix e os Vikings (Trailer) – 2006
MARCO MERGUIZZO 
é jornalista profissional
especializado em gastronomia,
vinhos, viagens e outras
coisas boas da vida.
Escreve neste Coletivo
toda domingo.
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acessando @marcomerguizzo
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