Biguatinga, a ave com asas que podem alcançar mais de um metro de envergadura, está presente no rio Sorocaba*

* Da série Fauna do Sorocaba

Sandra Nascimento

O biguatinga é encontrado em todo o Brasil. Mas é visto também no sul dos Estados Unidos (Carolina do Norte e Texas); na América Central, povoando o Panamá e Cuba; e na América do Sul, onde, além do Brasil, vive na Colômbia, no sul do Equador, no leste dos Andes e norte da Argentina.

Ave aquática, um biguatinga mede cerca de 90 centímetros e pesa o equivalente a um quilo e trezentos gramas. A cabeça é pequena e o bico é pontiagudo e serrilhado, próprio para fisgar presas escorregadias. Tem a cauda longa e suas asas podem alcançar uma envergadura de 120 centímetros. Seus pés possuem membranas natatórias, e, assim como as pernas, são amarelados.

O macho é negro brilhante com asas esbranquiçadas e apresenta uma crista. A fêmea se difere exibindo a cor creme no pescoço, peito e dorso.

Essa espécie não possui a glândula uropigiana (região da cauda que gera a substância oleosa utilizada para impermeabilizar penas). Em consequência, suas penas podem armazenar água, permitindo o mergulho totalmente submerso e, com isso, garantir uma boa caçada. Em contrapartida, a ave tem dificuldade de levantar voo a partir da água.

Vocalização

O som característico de sua vocalização lembra um grasnado de pato ou ganso.

Seu alimento

Biguatingas se alimentam de peixes, anfíbios, cobras d’água, crustáceos e insetos. Na água, capturam as presas, trazendo-as em seguida à tona para a degustação. No ar, sobem pela ramagem próxima a água e ficam à espera de organismos aquáticos que apanham com botes rápidos e precisos.      

Ninhos e reprodução

Essas aves são monogâmicas. Os ninhos são construídos sobre árvores entre seus iguais, ou em pequenas colônias de garças e biguás.

O ninho é feito em um ramo pendurado sobre a água ou na copa de uma árvore frondosa. A fêmea tece o ninho a partir de pedacinhos de galhos vivos, folhas verdes e gravetos recolhidos pelo macho.

Nessas ocasiões, em intervalos que variam de um a três dias, a fêmea põe de três a quatro ovos brancos ou azulados. A incubação dura até 30 dias.

Durante o período, o macho ajuda aquecendo o ninho com sua presença e defendendo os ovos de predadores.

Quando nascem, os filhotes são alimentados pelos pais e muito depressa aprendem a se lançar em mergulho, para fugir de ameaças.     

Nomes mais comuns

Biguatingas são conhecidos também como peru-dágua, mergulhão-serpente, biguá-bicolor, anhinga, arará, meuá, miuá e muiá; carará, na Amazônia; maria-preta, no Ceará; calmaria, no Rio Grande do Sul.

Nome científico: Anhinga anhinga

Seu nome científico significa “cabecinha”, do tupi “anhinga”.

A ave nas fotos foi localizada no bambuzal da avenida Dom Aguirre, na margem direita do rio, região central de Sorocaba.

Referências: A Passarinhóloga (blog sobre ornitologia e observação de aves); Wiki Aves, a enciclopédia das aves do Brasil (site); Guia de Campo de Luciano Bonatti Regalado.
Foto: José Carlos Fineis


 

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