Rafael Ponzi está vivo e forte e faz aniversário hoje!

Paulo Betti

Um dos mais talentosos homens de teatro do Brasil, apaixonado pelo Uruguai e Paraguai, leitor voraz, conselheiro e observador politico refinado! Brizolista convicto. Sempre que quero uma análise pertinente, ligo pra ele. Leitor de Merval Pereira (“precisamos saber o que ele está pensando, é estratégia fundamental”).

Foi ele que deu a idéia de alugarmos aquela esquina onde reinou a Casa da Gavea. Ele confabulando com Peréio e Cristina Pereira, com quem vive um casamento aberto e eterno.

Dirigiu “E aí? Comeu?”, de Marcelo Paiva, um grande sucesso. O Marcelo sempre diz: “Adoro esse cara!”

Foi meu diretor na “Autobiografia Autorizada” e juntos fizemos muitas peças e viajamos pelo Brasil afora (“O inimigo do Povo”, “A Tartaruga de Darwin”, “A Aurora da Minha Vida”). O Domingos de Oliveira amava ele.

Eu o dirigi em “Por que você não disse que me amava?”, da saudosa Vera Karan. Esse titulo me sugeriu dizer mais uma vez ao Rafa quanto o amamos.

Com Cristina Pereira em “A Tartaruga de Darwin”, direção de Ponzi

Rafa faz parte do núcleo duro de amizade de muita gente. Era um dos melhores amigos do Wilker, a quem chamava de Akira. Eu morria de ciúmes dessa amizade. Achava que o Rafa gostava mais do Zé do que de mim. Aliás, acho que é o que todos os amigos dele indagam. Será que mereço a amizade do Rafa? Não é Camilo? Giuseppe? Eliane? Zachia? Rafa sempre chama Verinha de “corpinho” e nunca sofreu acusação de assédio. Minhas filhas adoram ele.

O Grassi ele chama de “meu galã”.

Sérginho Mamberti de “biiiitcho”.

Lançou jovens atores e autores e se orgulha disso, gente que brilha no mundo artistico como André Gonçalves e Cassiano Carneiro, que dirigiu no grande sucesso “Aonde está você agora?”, de Regiana Antonini.

Costuma aliar futebol e teatro e é certeiro em suas comparações. Quando fazíamos “Perversidade Sexual em Chicago”, do David Mamet, ele, como assistente do Wilker, disse:

“José Mayer está Ademir da Guia.”

E eu, Rafa?

“Você está mais pro Buião, aquele ponta que atropela o pau do escanteio.” O ensaio teve que ser interrompido para acalmar os risos.

Fez o filme cult “Noites Paraguaias”, de Aloysio Raulino.

Intelectual, emprestava sua carteira do Jardim Botânico pro Prêmio Nobel José Saramago entrar no parque quando vinha ao Rio.

Formou-se em teatro no RS, adora churrasco e chimarrão. Gosta de fazer sua própria comida.

Quando fazíamos “O Amigo da Onça” no Maria Della Costa, ele, em cena com Chiquinho Brandão, fazendo brilhantemente o papel do Ziraldo, caiu no buraco de um alçapão do palco que deixaram aberto,, justo em cima do Espanhol, lendário vigia habitante mau humorado do teatro. Ninguém se feriu.

Quando ensaiava, Rafa segurava uma caneca que assoprava como se fosse café. Era Underberg.

Quando viajava, eu trazia sempre um Jack Daniels pra ele.

Como fumava muito, o Grassi dizia: ”Seu velório vai ser no foyer, o duro vai ser carregar o caixão nesta escada.”

Rafa é um grande homem das artes, mas tem um quesito em que é ainda mais invejado por todos: que grande pai, avô e companheiro! Que o digam Leticia, Lourenço, Augusto e Cristina!

Viva o Rafael Ponzi! Muitos anos de vida!!!

P.S.: ao ler esse texto, ele disse: “Pauletta! Quando eu morrer, publica sem alterações.”

Foto maior:
Na foto de Letícia Ponzi, Rafa e o neto Augusto

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