Dia Mundial do Meio Ambiente traz à reflexão antigas questões sobre a boa e velha Terra

Sandra Nascimento

Enquanto as grandes nações discutem a total necessidade de haver mudança climática para melhores condições de vida no planeta, o Brasil segue na contramão dos fatos, chefiado por um governante que, com sadismo premeditado, sabota as questões relacionadas à boa política social e de Meio Ambiente, chutando para longe qualquer possibilidade de entendimento racional que possa ajudar a nação. Seus subterfúgios incluem um repertório de grosserias e muitas mentiras, “na cara dura”, como diria o brasileiro.

De suas mentiras, algumas aconteceram durante a reunião de Cúpula de Líderes sobre o Clima, quando em 22 de abril de 2021, na presença de lideranças de mais de 40 países, o presidente afrontou a todos ao prometer a neutralidade zero na emissão de gases que provocam o efeito estufa, até 2050; o fim do desmatamento ilegal na Amazônia; e iniciativas de preservação, como recursos para a fiscalização de florestas e o fomento a projetos na área de geração de energia limpa.


Lideranças de 40 países participaram da Cúpula do Clima.


De volta ao Brasil, um dia depois, o mandatário oficializou um corte de recursos para atividades relacionadas à mudança climática, ao controle de incêndio em florestas e a projetos para a conservação ambiental. Sancionou, enfim, o orçamento de 2021 com muitos vetos. Ao todo, cortou 240 milhões de reais da pasta do Meio Ambiente, conforme formalizou o Diário Oficial da União, em 23 de abril.

Por essa ocasião, o presidente dos Estados Unidos Joe Biden – cujo governo organizou a reunião de cúpula – recebeu uma carta preventiva de um grupo de 36 artistas pedindo-lhe que rechaçasse qualquer possibilidade de acordo climático com o governo Bolsonaro: “Que não firmem nenhum acordo com o Brasil neste momento, até o desmatamento ser reduzido, os direitos humanos serem respeitados e uma participação significativa da sociedade civil ser alcançada…” Assinaram o manifesto celebridades como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Wagner Moura, Sônia Braga, Leonardo DiCaprio, Philip Glass, Jane Fonda, Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Sigourney Weaver, entre outros.

Triste 5 de junho

Com tantas recusas governamentais à causa ambiental, no Brasil o mês de junho chegou sem trazer razões para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente*. Um outro agravante foi o recorde em desmatamento do mês de maio, com mais de 1.180 km² de floresta devastada na Amazônia Legal, conforme anotou o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Desse modo, a história atual foi sendo marcada pelas derrubadas de madeira para venda ilegal e pelos premeditados ataques de garimpeiros à comunidade ianomâmi e tribos isoladas, ou seja, pela boiada do ministro Ricardo Salles que foi passando e aumentando os territórios desflorestados, deixando pelo caminho muitos índios mortos ou desabrigados.

Pequeno Guardião. Indígenas acreditam que a Terra é espaço para convivência e religiosidade. Foto: FarodiRoma

Dia de boiadeiro

Em contraponto, a quarta-feira, 19 de maio, foi marcada com surpresas para o boiadeiro, quando irrompeu uma operação da Polícia Federal, para busca e apreensão de pessoas ligadas a Ricardo Salles e ao Ministério do Meio Ambiente, com o objetivo de apurar crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando (de madeira). Essa operação, deflagrada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF, que recebeu o nome de Akuanduba, determinou também a quebra do sigilo fiscal e bancário do ministro. A história prossegue…

O nome que batiza a operação da PF, pertence a um deus da mitologia indígena do Pará que faz soar a flauta para restabelecer a ordem, caso alguém cometa excessos.

Akuanduba, o divino

Akuanduba é uma divindade dos índios Araras que sempre teve a função de tocar flauta para trazer a ordem ao mundo. Mas conta a lenda que, um dia, houve uma briga motivada por roubo e desobediência. Então, os seres humanos se encontraram atormentados e não mais ouviram a música. Por isso, como castigo, foram lançados à água para morrer. Mas uns poucos sobreviveram e puderam aprender novamente como dar continuidade à vida.

Pela vida na Terra

Ultimamente, os que sobrevivem sabem que já não adianta esperar alguém em particular para salvar a pátria ou o planeta inteiro. Entendem que uma salvação dependerá muito mais da soma de pequenas e constantes atitudes que se apoiem em fatos e na boa experiência política.

Sabem também que se o planeta continuar sendo aviltado, seguirá se transformando por meio das forças naturais e até sobreviverá facilmente sem a presença da Humanidade.

A bem da verdade, sabem que são os humanos que não sobreviverão se não cuidarem da vida na Terra. Para os atentos, os alertas estão por toda a parte.

A propósito, se ocorrer de o leitor entrar na Capela Senhor do Bonfim – João de Camargo, em Sorocaba, logo na entrada poderá encontrar um quadrinho de parede com a mensagem que diz:

“Até aqui poucos fizeram muito,
agora pedimos a Deus
que você seja
um dos muitos a fazer um pouco.”
(autor desconhecido)

Vale a reflexão.


Nota:

* O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1972.

Referências:

CNN Brasil, infomoney.com.br, Brasil de fato, Agência Brasil, Folha de São Paulo, Uol, Portal dos Mitos. Ilustração do deus Akuanduba: autor desconhecido. Obs.: Caso você seja ou conheça o autor, entre em contato com o blog para que possamos dar o crédito. Imagem principal de mmi9 por Pixabay

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