Era uma quinta-feira.

“As lágrimas correm e ninguém diz”. 
                                                               Dalto – músico e compositor brasileiro
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BLOG CAFÉ ENVENENADO

Embora eu me faça muito de desentendido, de desligado, muito mais por uma questão de sobrevivência em meio a tantas contradições entre “o que eu quero” e o “que a vida nos dá”, mas, datas, horários e nomes eu guardo bem. E eu tenho certeza, era uma quinta-feira.

Dia 20 de maio. Era época do frio. Na verdade, é a época do outono brasileiro. Eu tinha acabado de dar aulas.

Peguei um café e sentei em um computador que ficava à disposição dos professores.

Na verdade, eu queria mesmo era ir na sala dos professores dormir. Mas sabe aquela preguiça? Então sentei ali mesmo. Uns dias antes há uma semana eu acho, houve um encontro de professores em algum lugar no interior do Estado.

Fim do outono tem leve queda nas temperaturas, com mínimas abaixo de 10º C  no Sul de MG | Sul de Minas | G1

Eu nunca ia. Era muito “oba oba”, muita falação, comida ruim e quarto horrível para dormir.

Na verdade, o pouco que aprendi com uns colegas liberais (e gostei) foi: “Minha relação de trabalho é um comércio: Eu entro, dou aulas, da melhor maneira e forma possível e acabou”.

Mas, isso nunca acontece. Você dá duas aulas de manhã e fica por ali mesmo para as aulas da tarde. 

Jamais faça isso! Acabou seu turno, V A Z E!

Em hipótese alguma faça isso! 

Pois tudo de bom e ruim pode ocorrer nesse H que você faz ali no trabalho. 

Inclusive se apaixonar.

Como eu dizia, houve um encontro de professores de inglês, de uma determinada rede de escolas de inglês e foi no interior. Eu moro no interior. E foi bem mais interior que o local onde eu morava, na época.

Eu peguei o meu café, abri um jornal velho ali e estava folheando, com a cabeça longe.

Na mesa ao lado, estava a secretária da escola, a diretora e uma professora. Estavam rindo, conversando, gargalhando. Pelo que captei, o pós-encontro de professores tinha sido “do barulho”, pois ouvi bem a seguinte fala: – “não sei quem foi beijar alguém e esse alguém não quis ser beijada e empurrou o beijoqueiro”.

A síntese é simples: “Pessoas quando estão em outros locais, em outros ambientes, liberam exacerbadamente aquele “monstro” que estava dentro dela”.

Sim! Isso mesmo!

É comum: O cara, na cidade dele, ali, próximo aos pais, da família, da companheira ou companheiro, tende a se comportar de forma bem retraída. Há muitas valores sociais em questão. Quando estão há 310 km de distância (era a distância entre a cidade que eu a conheci e a cidade onde ocorreu o evento), essas pessoas “soltam a franga”!

E o papo ali continuava. Muitas gargalhadas… Muitas aliás. E altas. E eu odeio barulho!

Eu juro, eu olhei para pedir para aquelas “maritacas” calarem a boca!

Mas acho que entre minha raiva com o barulho, minha saudade de estar há 290 km de meu filho, o cansaço por estar há 3 dias fora de casa, dormindo em hotel e a psicodelia de meu cérebro,deu uma travada em todo o processo.

Quando eu olhei para mandá-las-ás a “Puta que o pariu”, que parasse com aquelas gargalhadas do cacete eu a vi.

E ali que foi o meu fim. Pelo menos o início.

Sim, eu tenho alguns “diem mortis” que eu mesmo decretei, baseado em fatos da minha vida que, na vida de muitos humanos normais, seria “o dia mais feliz da vida”, como eu disse, em normais. Na minha bosta de vida, é diferente, pois; realmente esses “diem mortis” são o dia que algo de bom acontece, que eu irei mudar toda a minha vida em função do acontecimento e posteriori, eu irei me “fuder” de tal maneira que, em virtude disso, eu chamo de “Diem Mortis” ou “Dia de minha Morte”.

Quem aguentar ler esse texto inteiro, provavelmente lerá essa frase, em diversas “passagens”.

Ela estava contando essa estória da viagem. A estória do beijoqueiro.

E eu a vi ali…

Cabelo preto alisado, com as pontas marrom.

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Olhos bem negros, com a “bola do olho” bem redondinha, parecendo duas jabuticabas maduras.

Cabelo pelo ombro.

Camiseta branca, sem manga, mas não de alça.

Calça jeans desbotada.

Sapatilha azul escura no pé. Sem meias.

Brincos de argolas, mas pequenas, não “argolões”.

Uma tiara azul escura no cabelo.

Uma pulseira e um relógio bem femininos no pulso esquerdo.

Voz suave e fina. Parecia que eu ouvia o barulho do vento passando pelas folhas de um jardim, de tão suave… Eu travei!

Exatamente. Para você que está lendo, eu que estava indo dar o maior “esporro” do universo em três mulheres barulhentas, naquela hora eu travei.

Apenas quis contemplar aquele sorriso.

E ela me olhou também.

Claro, por estar assustada de ver um “tiozão” ali, segurando a cabeça com a mão, olhando fixo e rindo de toda aquela estória que elas estavam rindo antes.

Me envolvi na estória. De repente, aquele excesso de gargalhadas, passou a me interessar.

Era uma quinta-feira.

A temperatura era amena, uns 22 graus celsius.

No rádio tocava muitas músicas populares.

Era a época do “Ai se eu te pego”, e coisas assim.

 Mas na hora que eu travei contemplando o rosto dela.

Tocava Ciara – “Never Ever” no rádio.

Era uma rádio local.

Na TV, a noticia era a crise entre as duas Coreias.

No controle do ar condicionado marcava 19 graus. Eu que havia mudado a temperatura para o mais frio possível.

Era uma quinta-feira.

Ali eu comecei a perder minha alma. Se é que um dia eu tive uma.

Numa quinta-feira.

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