Conferência do Clima (COP26) em Glasgow/Escócia adia soluções que podem deter o aquecimento global

Sandra Nascimento

Planejada pela Organização das Nações Unidas (ONU), chegou ao fim a Conferência do Clima em Glasgow/Escócia, no último sábado (13). Infelizmente, depois de 14 dias de discussões, os acordos ainda são insuficientes para o enfrentamento aos problemas de emergência climática.

Assuntos fundamentais ficaram para depois, como a regulamentação do Acordo do Clima de Paris, com regras de operação para o mercado de carbono e o estabelecimento de metas que não ultrapassem a temperatura global além de 1,5°C ; a contribuição em recursos e verbas de países ricos a nações pobres, tendo em vista que são elas as que mais acumulam perdas decorrentes das mudanças; e a criação de uma estrutura de financiamento a projetos audaciosos, nos quais os empreendimentos possam apresentar soluções sustentáveis que contenham o desmatamento e impulsionem economias verdes.

O documento final dessa 26ª conferência foi assinado por quase 200 países-membros, incluindo o G77, que é a coligação dos países ditos “em desenvolvimento” e pobres.

Ponto positivo

Depois de muitos colóquios, o ponto positivo da reunião foi constar no texto final do documento, pela primeira vez, a redução gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e ao uso do carvão. Isso ocorreu devido à compreensão de que a mudança climática, causada pela emissão do carbono, pode comprometer a vida na Terra em apenas três décadas. Com a determinação, o propósito é eliminar os gases de efeito estufa até a metade deste século.

Nada disso, porém, será possível se os países não seguirem à risca o alerta de António Guterres, secretário geral da ONU: “Deveríamos salvar o futuro da humanidade e não continuar fazendo uso de combustíveis fósseis como estamos fazendo. Sem ação decisiva, estaremos jogando com a nossa última oportunidade de, literalmente, inverter a maré.”

Conferência paralela

Outro aspecto considerado como ponto positivo foi a participação popular em milhares de eventos paralelos sobre temas como transporte e cidades; ciência e inovação; público; gênero; energia; finanças; natureza; juventude e empoderamento.

Greta Thumberg, ativista ambiental, após a finalização da conferência, deu via twitter o seu recado sobre as negociações oficiais: “A COP26 acabou. Aqui está um breve resumo: Blá, blá, blá.” A menina sueca ainda afirmou à imprensa que um verdadeiro trabalho deverá ser social: “Nunca poderemos desistir. É preciso atingir um corte imediato, drástico e sem precedentes nas emissões anuais para combater os efeitos das mudanças climáticas. São necessários pequenos passos na direção certa. Fazer um pequeno progresso ou ganhar lentamente equivale a perder.

Perdas e danos

Entre as comunidades afetadas que já sofreram com as mudanças climáticas, estão países africanos, Ilhas de Tuvalu e as Ilhas Marshall.

Continente africano

A localização geográfica de países como Moçambique e Madagáscar, no continente africano, faz com que praticamente todos os anos eles estejam mais expostos aos ciclones tropicais. E levando-se em conta que a maioria desses países não são desenvolvidos, o aumento da temperatura os deixa vulneráveis aos atuais padrões de eventos climáticos que afetam diretamente e de forma avassaladora seus setores socioeconômicos.   

Tuvalu

Localizado no meio do Oceano Pacífico e a poucos metros acima da linha do mar, Tuvalu ou Ilhas de Tuvalu é um país que corre o risco de desaparecer nas próximas décadas, devido ao aumento do nível da água causado pelo aquecimento global.

Ilhas Marshall

Nas Ilhas Marshall, enquanto o litoral se dissipa, as pessoas são obrigadas a fugir. Aproximadamente 20 mil nativos de Marshall já vivem nos Estados Unidos. Os que ficam no país, enfrentam as constantes invasões das marés. E apesar de improvisarem com rochas o reforço de suas casas, as paredes duram somente até a chegada de uma outra onda mais forte.

Uma questão de tempo

Marshall e Tuvalu são a prova de que mais lugares poderão sofrer com a mudança climática, caso se insista em atingir um aquecimento superior a 1,5°C. Cientistas já dizem que grandes centros urbanos como Miami, Nova York e Mumbai podem correr o mesmo risco, uma vez que as áreas dessas cidades se localizam apenas um pouco acima do nível do mar. 

Reis do Carbono

Atualmente, os principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa e consequente aquecimento do planeta são os Estados Unidos, a China, União Européia, Rússia, Índia. E o Brasil!

E o Brasil!

Referências: ONU- News, dv.com/pt, https, greenpeace.org/brasil/blog, oeco.org.br/noticias/boletim, cnnbrasil.com.br, https://www.bbc.com/portuguese/geral-59065359.
Foto principal: Kiara Worth/ UNclimatechange –
https://www.flickr.com/photos/unfccc/
Outras fotos:
A invasão – TheDigitalArtist/Pixabay,
Floresta Amazônica em fogo – Visualmind/Adobe Stock – stock.adobe.com

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