Direita e extrema direita congestionam pista para o poder em 2022

Geraldo Bonadio

A filiação do presidente Bolsonaro e de seu filho Flávio, senador pelo Estado do Rio de Janeiro, ao Partido Libertador, cabresteado pela impoluta figura de Waldemar Costa Neto; a prévia do PSDB disputada por dois governadores de direita a ele filiados – João Dória (SP) e Eduardo Leite (RS) – e a decisão do ex-juiz Sérgio Moro de concorrer à Presidência pelo Podemos deram, em poucos dias, feições se não novas, ao menos pouco esperadas ao esboço do panorama para as eleições gerais do ano que vem.

Competindo entre si e trocando farpas que nada ficam a dever às críticas que os partidos de esquerda trocavam entre si, em tempos idos, tais eventos sugerem, em seu conjunto, a possibilidade de uma fragmentação dos grupos conservadores e reacionários, cuja superação vai dar trabalho aos seus efetivos comandantes – o capital financeiro, o agro pop e tech e os operadores do que foi, antigamente, o aguado sindicalismo patronal encabeçado pela Fiesp – bem como os impérios midiáticos das grandes empresas religiosas, parte das quais – como as de Edir Macedo e a do apóstolo Valdemiro – em mal acobertadas crises financeiras.

Existe um denominador comum entre os fragmentos de direita. Todos eles querem preservar o programa de desfigurar o Brasil, seus alicerces econômicos e ambientais e sua constituição, a fim de manter a nova escravização, em implantação desde que Temer chegou ao poder.

Todos se empenham em manter a irrelevância do Estado brasileiro no plano internacional e a venda na bacia das almas dos patrimônios que o país, às custas de sucessivos planos bem elaborados, conseguiu amealhar. A quase doação da histórica e muito preciosa Refinaria Landulfo Alves, da Petrobrás, a um grupo cujos capitais provêm das ditaduras árabes do Oriente Médio, em meio ao debate de irrelevâncias políticas, passou quase despercebida. A transferência do que era público ao domínio privado, sem controle estatal, não é inócua. Depois de décadas de operações seguras sob controle público, a Vale, privatizada, em poucos anos nos “brindou” com os desastres ambientais de Mariana e Brumadinho. 

Despertar o país desse pesadelo que o oprime, antes que toda a Floresta Amazônica seja incinerada, as terras indígenas, despovoadas pela brutalidade sem controle, se tornem domínio total dos grileiros, enquanto a maioria negra é chacinada em supostas operações de segurança será um processo longo e doloroso. Ainda há muito brasileiro avesso à vacina, se medicando com cloroquina, se informando pela Jovem Pan, acreditando que vive sob um governo que põe o Brasil acima de todos e que as baladas de fim de ano não ameaçam ninguém.

A pré-condição de despertar é uma frente de grande amplitude, somando conservadores honestos, centristas leais à Constituição e segmentos não delirantes da esquerda. De preferência, antes que a direita consiga reunir seus casos.  

Foto: Greg Montani from Pixabay

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