Duelo de monstros e de anjos

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Ontem, a amiga Carla Cristina Camargo me enviou no WhatsApp o vídeo de um padre de grande credibilidade e que é muito querido dos católicos, também de pessoas de outras religiões e até mesmo de ateus. O religioso faz uma live com abordagem sobre o ódio no mundo e vincula o fenômeno com a existência de monstros interiores existentes nas criaturas humanas e adverte que eles precisam ser contidos com os recursos da coragem e do controle emocional. O conteúdo da mensagem provocou um forte impacto em Carla. “Há um monstro dentro de mim e eu não sei o que fazer”, ela digitou, horrorizada, consciente de que essa é uma descoberta terrível e precisa achar um jeito de lidar com o problema: “O que devo fazer?”

Obra de arte da natureza

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Foi muito tardiamente, aos quinze anos, que conheci o mar pela primeira vez. E a experiência foi marcada pelo pânico. Entrei na água sem respeitar a margem de segurança e uma onda me encobriu. Por uns instantes fiquei suspenso na água, sem direção, sem localizar a praia. Senti um pavor indescritível. Quando pensei que estava perdido, avistei a praia, senti os pés tocarem a areia e saí da água. A sensação de sobrevivência valeu como lição.

O amor mora no coração

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Carla Cristina Camargo, uma amiga de longa data, envia no WhatsApp uma mensagem que diz que “o amor não mora nas palavras, mora nas atitudes”. Como a frase sugere, ela está de coração partido e sabe muito bem que eu estou na mesma situação.

Não me abandone, por favor

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Dizem que o primeiro amor é o mais verdadeiro entre tantos possíveis amores ao longo da existência. Nelson Rodrigues afirmava que o grande amor é o amor platônico.

Felicidade e perdição

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Alta noite, um escritor e uma publicitária conversam no WhatsApp. São amigos de longa data. O assunto é profissional. De repente, o diálogo se desvia para a guerra dos sexos. O foco é o duelo entre os canalhas e os românticos com o sucesso e a perdição na arte de seduzir a mulher. Eis a transcrição, que começa com “viagens” sobre o modo confiança no homem e na mulher.

Tereza tão triste

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Deram-me o nome de Tereza, talvez por eu ser “quase” humana. E eu sou uma câmera no alto de um poste. Meu ponto de filmagem parte do centro da rotatória de um cruzamento de duas avenidas numa grande metrópole. Meu ângulo de visão tem alcance de quinhentos metros nos quatro corredores de ruas que se cruzam e se estendem em cada direção.

O vale dos vilões

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Os vilões são capazes de negar o sol em pleno verão de quarenta graus à sombra. Os vilões têm o prazer de negar a própria negação quando desdizem no minuto seguinte o que acabam de afirmar agora. Os vilões ignoram a história, os documentos, as provas, as certificações de conhecimento acumulado em séculos e gerações.

A arte de ser otimista

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - A jornalista Carla Cristina Camargo, leitora muito especial que tem a generosidade e a paciência de acompanhar o que escrevo há 11 anos, pede uma crônica otimista e eu não posso deixar de atendê-la.

95 velas para Dalton Trevisan

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Nesses tempos tristes e sombrios, em virtude das milhares de mortes da pandemia entre as quais ocorreram grandes perdas para a cultura brasileira (Aldir Blanc e Sérgio Sant’Anna, entre outros), a possibilidade de comemorar o aniversário de um mestre da literatura é uma oportunidade marcante. Esse mestre é o paranaense Dalton Trevisan, o maior contista vivo do Brasil e um clássico que integra a galeria dos maiores craques da história curta no mundo. Ele completa 95 anos neste domingo (14). O título acima é uma alusão a “Uma vela para Dario”, um dos seus contos mais extraordinários.

Hora de aprender com as dolorosas lições da história

CARLOS ARAÚJO (Blog do Araújo) - Quase unânime a constatação de que ler é uma boa alternativa para esses tempos de isolamento social. Acabo de ler o livro “A Batalha das Ardenas – a cartada final de Hitler” (Editora Planeta do Brasil, 542 págs.) De autoria do historiador inglês Antony Beevor, a obra é uma detalhada narrativa da última grande ofensiva de Adolf Hitler na região das Ardenas, na Europa, nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Texto magistral, linguagem jornalística, ritmo intenso típico dos melhores romances de ficção, com a diferença que este é um documento histórico, muito bem construído e documentado.

Carlos Roberto de Gáspari

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Muitos são os homens que contribuem para a composição da narrativa histórica, mas raros são os que marcam a passagem por este mundo com o exemplo de quem faz a diferença nos rumos da história de uma geração. Carlos Roberto de Gáspari, o sindicalista falecido nesta quarta-feira (4), pertence à categoria dos brasileiros que fizeram a diferença nos momentos decisivos da história de Sorocaba e Região e se projetaram na galeria dos grandes sindicalistas brasileiros.

Terror trash no Cinema Brasil

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Antigamente você entrava no cinema para assistir a um filme de terror com todos os seus sentidos preparados para o pânico calculado e tão esperado. Hoje você começa o dia e a sensação é de que o filme de terror já está em andamento, você perdeu o início e desta vez não está preparado para os sustos da exibição. Não há como deletar ou ignorar a projeção da obra trash e todo mundo está ligado nela com a mesma paúra de quem assiste ao último lançamento de “O massacre da serra elétrica”.

Janela de outono

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Da janela olho para a avenida na madrugada fria. Passam uma moto, um automóvel, um homem a pé. Um ciclista empurra a bike no trecho de subida. Tudo parece tranquilo. Nenhuma ameaça à vista. E pensar que a grande ameaça não é visível. Recomendam ficar em casa. Outros dizem que é possível sair desde que se use máscara. Fico em dúvida se o vírus pode entrar pelos olhos. Fecho também a janela. Medo de o vírus entrar por uma fresta.

O pastor e suas ovelhas

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Era um lugar muito distante. A época não é identificada ao longo da história da civilização. No calor de uma guerra que matou milhares de soldados, um combatente perguntou ao comandante o que ele achava do número de mortes que já superava o de outras guerras.

Os hóspedes e o vírus (Última parte)

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - A jornalista que liderava o comando de sobrevivência dos hóspedes era a brasileira Júlia Medrado. Pela primeira vez na vida ela sentia o medo numa dimensão muito além do limite tolerável. “Quanta fragilidade”, ela pensou, ao levar em conta o contraste entre a capacidade do homem de construir a maior máquina de guerra da história e todo esse poder não ser suficiente para o combate ao inimigo invisível.

Os hóspedes e o vírus (Parte IV)

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - O amanhã veio com mais problemas para os hóspedes do hotel durante a pandemia. De repente, um novo grupo de vinte pessoas se reuniu em frente à entrada do prédio. Vinham de outra parte da cidade e pediam abrigo. Entre eles havia quatro crianças e dois idosos. Abandonaram o abrigo no galpão de uma antiga fábrica porque faltou comida e agora precisavam de um local em condições de recebê-los. Suplicavam ajuda para garantir uma sobrevida.

Os hóspedes e o vírus (Parte III)

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - A quarentena no hotel à beira-mar era como uma prisão. Os hóspedes só tinham algum tipo de comunicação externa por meio do recebimento da alimentação, fornecida em materiais descartáveis, e da retirada do lixo.

Os hóspedes e o vírus (Parte II)

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Quanto mais dramática é a situação, maior é o tamanho da fragilidade humana. Foi essa a sensação que envolveu a jornalista no interior do hotel em quarentena perante um dilema moral: devia contar ao mundo que o vírus já matara dois hóspedes ou devia omitir essa informação?

Os hóspedes e o vírus (Parte I)

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - Não era dia, não era noite. Era aquele momento em que os últimos raios de luz travam uma espécie de duelo com a aproximação da noite e o efeito é de desequilíbrio entre as diferentes percepções de tempo e espaço.

Outro Olhar: enigmas e labirintos

CARLOS ARAÚJO (Blog Outro Olhar) - A vida pode ser comparada a uma longa viagem. Podemos traçar um roteiro, mas nem sempre o destino pretendido pode ser alcançado. Acidentes de percurso, curvas perigosas, desvios forçados e outros imprevistos podem mudar os sentidos do caminho traçado. E para o viajante, o importante é ir em frente e curtir os bons ventos da jornada.

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