Zé Muleque, o leva e traz (conto). Parte 3 (final): Nada que um bolo não resolva

JOSÉ CARLOS FINEIS (Conversa de Armazém) - "Ora, quem diria. O filho do velho boticário meu amigo bancando jagunço de novela. Seu pai era um grande homem e deve estar lá no Céu, morrendo de vergonha de você, seu corno manso. Quem mais está aí? Venham aqui para a frente. Sejam homens, saiam das sombras. Vamos conversar e resolver a situação com saliva, pois com chumbo, não sei se vocês perceberam, alguém certamente não vai dormir em sua cama esta noite."

Zé Muleque, o leva e traz (conto). Parte 2: Uma cabeça prestes a rolar

JOSÉ CARLOS FINEIS (Conversa de Armazém) - Às vezes me esqueço que agora sou contista, e não mais um escrevinhador de notícias policiais. A cabeça decepada que no noticiário sensacionalista aparece logo no título pode, na narrativa literária, ser cortada aos poucos, ou na última linha, ou, se o texto for uma obra aberta, até mesmo permanecer como uma sugestão ou um mistério, para que o leitor tire livremente suas conclusões do que pode ter ocorrido e a quem.

Zé Muleque, o leva e traz (conto). Parte 1: Todos (até dona Rosa) contra Zé

JOSÉ CARLOS FINEIS (Blog Conversa de Armazém) - Zé Muleque devia ter desconfiado de que havia alguma coisa errada quando foi convidado – ele, que entrava sem bater – para a sala do prefeito naquela manhã de sol. Desde que pisara na Prefeitura, sentira um excesso de mesuras no ar, incomum para um aspone que, embora sem cargo no papel, era considerado “gente da casa”.

Larissa e Joana (conto). Parte 2 (final): O amor verdadeiro vai encontrar você

JOSÉ CARLOS FINEIS (Conversa de Armazém) - Nos dias seguintes ao primeiro encontro (creio que foi numa quarta ou quinta-feira), Larissa e Joana pensaram muito no trato que haviam feito. A bem da verdade, refletiram sobre o assunto de maneira quase obsessiva, talvez porque as intrigasse uma ideia que ocorreu a ambas – a de que pudessem ter sido levadas por algum motivo desconhecido por elas mesmas, alguma intenção não consciente que não fosse apenas a de reunir-se para conversar.

Larissa e Joana (conto). Parte 1: Alguém para conversar e nada além disso

JOSÉ CARLOS FINEIS - "Eu li recentemente sobre uma terapeuta americana que cobra uma fortuna para dar abraços demorados em seus pacientes. E no Japão – se bem que o Japão é outra cultura, quase que um outro planeta –, tem uma empresa que aluga amigos e parentes para pessoas solitárias, para acompanhá-las em festas ou mesmo para conviver com elas em casa. (...) Isso sem falar nos homens que compram mulheres de silicone para ver TV de mãos dadas no sofá e depois fazer sexo com elas." (Blog Conversa de Armazém)

Caridade embutida

JOSÉ CARLOS FINEIS - Um homem muito pobre, inclusive de informações, bateu numa casa bonita já preparado para receber cara feia, mas tinha fome e precisava de algo para comer. A empregada o atendeu e pediu que esperasse. Minutos depois, surgiu com uma sacola de supermercado cheia de salsichas bem vermelhas. Verteram lágrimas dos olhos... Continuar Lendo →

Uma receita de infelicidade (conto)

JOSÉ CARLOS FINEIS – "Ahá! Aí está o problema -- exultou o guru. -- Seu marido é triste porque você não ri das piadas dele. Se você não rir, outra certamente rirá, e ele irá com a outra. Um lar sem dinheiro, sem romantismo e sem risos é como um torrão de açúcar numa chuva de verão: logo se desfaz."

A sedução do abismo (conto). Parte 2: A arte de construir sobre o vazio

JOSÉ CARLOS FINEIS - Um murmúrio subiu desde a multidão quando, lenta e cuidadosamente, passei a perna esquerda por sobre o peitoril e fiquei sentado lado a lado com Regina, os pés apenas recostados no concreto pelos calcanhares, sem poder contar com uma saliência, um ponto de apoio para as pernas. Eu tinha uma desvantagem, que era de não conhecer Regina nem saber o que a levara a cogitar o suicídio.

A sedução do abismo (conto). Parte 1: Uma executiva na janela

JOSÉ CARLOS FINEIS - "Então vamos fazer assim. Em vez de eu falar sobre mim, você fala. Mas pelo amor de Deus, não quero ouvir essas máximas idiotas que as pessoas publicam nas redes sociais. Você tem até as seis para dizer tudo o que puder para me fazer mudar de ideia. Eu prometo ouvi-lo e considerá-lo. Antes disso não vou pular, a menos que algum idiota tente me tirar à força daqui."

Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

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