Negação dos fatos, má fé e risco civilizatório

MARCELLO FONTES (Blog em toda e em nenhuma parte) - No campo da ciência ou das evidências claras e concretas, brigar contra fatos não é uma atitude razoável ou inteligente. Aquele indivíduo que, diante de fatos evidentes, inequívocos e empiricamente comprovados de diversos modos insiste em afirmar o oposto ou age de má fé ou tem dificuldades cognitivas sérias decorrentes de alguma patologia. Falaremos da má fé que faz com que se afirme algo nitidamente irreal. Temos visto com muita frequência situações nas quais, mesmo diante das mais fortes e demonstráveis evidências, pessoas insistem em afirmar o contrário do que a ciência, a razoabilidade e o bom senso demonstram. Isso não é uma novidade, mas tem se acentuado nos últimos anos por meio da livre circulação de ideias no universo virtual. Mas, como o momento atual bem demonstra, cada vez mais a propagação de tais negações dos fatos constituem uma séria ameaça para a civilização em termos políticos, econômicos, ecológicos e sanitários.

Reprodução, arte e transformação

MARCELLO FONTES (Blog Em toda e em nenhuma parte) - A um clique, tudo se apresenta e pode ser fruído. Reproduz-se quase tudo de modos múltiplos e cada vez mais ágeis. Copiamos, modificamos e a partir daí produzimos novos conteúdos com os mais diversos formatos. Quais as consequências disso para a arte? O que acontece com ela quando é reproduzível de modo quase infinito?Para Walter Benjamin, este processo causa na obra de arte a perda de sua "aura", que consistiria naquele "aqui e agora" próprios daquilo que seria a obra de arte original, e que daria valor cultural, autenticidade e unicidade a ela. Com a possibilidade da reprodução, todo o conceito estético clássico de beleza e as categorias daí deduzidas sofrem mudanças profundas e definitivas. A própria noção de autenticidade passa a não ter mais sentido diante da reprodutibilidade.

A ignorância como fermento para a banalidade do mal

MARCELLO FONTES (Blog Em toda e em nenhuma parte) - O mal não estaria ligado à liberdade, mas à não liberdade. Aquele que perpetra o mal não é um “monstro” ou um ser necessariamente perverso ou cheio de motivações aterrorizantes, mas acima de tudo um Homem comum. Uma assustadora normalidade cerca o mal, que para Arendt evidencia-se principalmente no aspecto político e histórico, sem que se tenha qualquer evidência de que foi cometido por crueldade absoluta, mas principalmente por omissão e ignorância. O perpetrador do mal, para Arendt, nada tem a ver com o vilão tradicional ao qual muitas vezes nos acostumamos.

Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

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