O teatro e os artistas da Região Metropolitana de Sorocaba estão na UTI

JOSÉ SIMÕES – Após mais de 100 dias de interrupção de todas as atividades artísticas na Região Metropolitana de Sorocaba,  os artistas da região se encontram em estado terminal, metaforicamente, na UTI. Alguns grupos inclusive já desapareceram.

Os responsáveis que deveriam atuar, na linha de frente durante a pandemia, tal qual os médicos e enfermeiros, na defesa dos artistas da Região Metropolitana de Sorocaba: os secretários ou diretores da Cultura dos municípios estão, na sua maioria, hibernados.

Na maioria das cidades da região metropolitana (27 municípios), estes agentes políticos não fizeram nada e “deixaram o barco correr”.

Muitos sequer organizaram, por exemplo, uma lista/cadastro para organizar a entrega de cestas básicas aos artistas da cidade, que estivessem em situação de vulnerabilidade. Algo simples.

A maioria destes agentes políticos foram vistos em reuniões genéricas ou  trancados nos gabinetes, cancelando isto, cancelando aquilo, permitindo que o dinheiro do orçamento destinado à Cultura fosse desviado de função, falando acerca de projetos e mais ideias que nunca se concretizaram, rodeado por comissionados e funcionários, todos remunerados pelo poder público, sem serem protagonistas ou parceiros dos artistas das cidades.

Foram os artistas e os amigos dos artistas, por exemplo, que ofertaram cestas básicas, mobilizados na base de uma-mão-segura-a-outra. Os artistas foram à luta para ajudar os colegas. (Meu muito obrigado pela generosidade anônima de muitos.)

Nestes tempos obscuros e difíceis para quem faz Teatro ou Musica, ou Dança ou Arte deveríamos poder contar com aqueles que desempenham as funções (publica e política) nas salvaguardadas das Artes, dos Artistas e da Cultura da cidade. Os secretários e/ou diretores da Cultura  estão lá para defender a Cultura e os seus trabalhadores da área artística e cultural da cidade. Com raras exceções na Região Metropolitana de Sorocaba tivemos pessoas que saíram da zona de conforto, brigaram, discutiram e foram atrás de projetos e recursos para produzir algum tipo de solução artística e financeira para os artistas.

É fácil saber quem são estes agentes políticos. Basta fazer uma lista na sua cidade daquilo que foi feito e o que não foi feito durante os cinco meses de 2020. Simples assim. Sem desculpas. Sem mimimi. Mas sigamos  em frente. Em breve precisaremos que estes senhores ou senhoras que, até então estão hibernados, caso a lei do auxílio emergencial federal (PL 1075) seja aprovada, sejam ágeis e mostrem trabalho, para que os municípios  não percam nenhuma verba que foi destinada as artes e aos artistas.

É importante os artistas de cada cidade da RMS se mobilizem, exijam por parte do poder publico ações transparentes e, principalmente, fiscalizem para onde será destinado cada centavo desse recurso. Por exemplo Sorocaba terá aproximadamente quatro milhões em recursos. Boituva quatrocentos mil reais ; Itu  um milhão reais, etc.

A Lei Emergencial não salvará o ano.

No máximo poderá retirar alguns artistas da UTI.  Mas para que isso aconteça será necessário que exista um forte ativismo, também, por parte dos secretários e/0u diretores da Cultura.

Prefeitos e prefeitas abram o olho.

É importante ter alguém que trabalhe e conheça todo o processo. Em pleno ano eleitoral  as ações culturais – este patinho feio – poderá fazer diferença na hora do voto. Pois, se o processo não for bem conduzido ele pode lhe trazer dores de cabeça, até mesmo na justiça.

É preciso que os artistas e a sociedade fiquem atentos em relação aos critérios de distribuição dos recursos. Transparentes e isonômicos. Assim como a qualidade das comissões julgadoras. Especialistas. Não permitir os conchavos ou apadrinhamentos. Por exemplo: não se  pode imaginar uma  comissão julgadora que possa participar da organização dos editais e, ao mesmo tempo, também, participar concorrendo às verbas? Quem fiscaliza e/ou julga não pode participar dos editais. Ética. E assim por diante.

Por fim, se o município acertar no processo será um ponto positivo para o município. Entretanto se perder parte das verbas será péssimo para a imagem do prefeito ou prefeita. Se houver desvio de função da verba? Pior ainda. Será questionado no MP.

“Eu sempre dependi da bondade de estranhos

Diz Blanche DuBois na cena final  de Um Bonde Chamado Desejo de Tennessee Willians. É desse modo que se sentem muitos dos artistas da Região Metropolitana de Sorocaba (salvo, reitero, as poucas exceções).

Foi necessário uma ajuda “de fora” – federal –  para que os artistas – trabalhadores da cultura – possam ter alguma voz e possibilidade apoio.

É triste não ser valorizado na sua própria terra.

Veja o quanto seu município poderá receber: https://www.cnm.org.br/cms/images/stories/Links/05062020_Lei_Aldir_Blanc_Munic%C3%ADpios.pdf

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