Só para quem é mãe: Você já beijou de língua hoje?

LUCY DE MIGUEL — Fico imaginando uma amiga lendo este texto e reclamando: “Que horas eu vou beijar, Lucy? E de língua, se não tenho tempo nem pra fazer xixi?”. E isto é fato. Quando nos tornamos mães nos esquecemos de priorizar até mesmo nossas necessidades básicas:  comer, dormir, cuidar do nosso corpo, praticar uma atividade física… Deixamos de lado as risadas gostosas com as amigas, deixamos de transar, de beijar…

Ainda que a maternidade seja o momento mais delicioso da vida de uma mulher, vamos e venhamos que nossa prioridade enquanto ser humano é ZERO.  Priorizar o marido, então… Ah, ele já é bem grandinho e sabe esperar pelo momento mais oportuno…

Lembra-se daquela propaganda de TV que dizia “Você já abraçou seu filho hoje?” Funcionava como um toque nada sutil (e até batia na consciência) para que os pais compreendessem a importância do carinho e de um momento diário de atenção com o filho, tão essenciais para o desenvolvimento da criança.

Agora, eu nunca vi nenhum bordão ou campanha de cuidados maternos, dizendo: “Você já beijou de língua hoje?” Pois a ciência já comprovou que o beijo de língua traz inúmeros benefícios fisiológicos e emocionais – e tudo por conta dos neurotransmissores ou hormônios produzidos neste momento tão delicioso… e necessário!

A verdade é que temos uma farmácia interna poderosa, produtora destes milagrosos neurotransmissores, que pode ser ativada com um belo e caprichado beijo de língua. O problema é que muitos casais não se dão conta dessa importância, acabam se afastando devido à rotina atribulada com o nascimento de um filho, reduzem os momentos de intimidade e de carinho – que se tornam raros e rápidos – transformam o beijo em um “selinho”, usado apenas como cumprimento. E o que a gente não prioriza, se degrada.

Beijo de língua ativa os neurotransmissores

Assim como o estresse, o cansaço, a tristeza, a depressão, o medo e outras emoções negativas costumam acompanhar a maternidade, a boa notícia é que o beijo de língua pode neutralizar muitas delas. Afinal, tudo acontece no cérebro, através da produção dos neurotransmissores (substâncias químicas que fazem a comunicação entre as células nervosas).

Se nos déssemos conta do poder transformador de um beijo de língua (ou de muitos beijos, neste caso), viveríamos em um mundo muito melhor, com mais afeto e humanidade. Haveria menos separações, menos brigas, menos angústias, menos culpa. E mais amor, mais harmonia, mais carinho, mais generosidade. Aliás, quanto tempo “gastamos” em um beijo de língua? Um minuto, dois, três? E, diga-se de passagem, quanto mais tempo durar, melhor será para o seu cérebro.

Precisa ser de língua mesmo?

Yes, baby! Tem que ter esse elemento básico como protagonista nessa história para ativar os hormônios que vão produzir bem-estar, prazer e outros benefícios. Isso é científico. Dá um google aí.

O fato é que um caprichado beijo de língua ativa os sentidos do olfato, paladar e tato, que vão determinar o grau de compatibilidade com o outro. E mais: os lábios possuem uma quantidade imensa de terminações nervosas, com grande capacidade para transmitir informações para o cérebro. Significa que o que sentimos no corpo e as informações percebidas pelo cérebro definem se um relacionamento tem futuro ou não. Dá pra identificar pelo nível de prazer causado pelo beijo.

Então, vamos ao que interessa. Entre os benefícios para o corpo e para a mente, entenda por que o beijo de língua é tão essencial para a nossa felicidade:  

– contribui para a redução do estresse, a partir da maior produção de serotonina (responsável pela excitação e otimismo) e da diminuição do cortisol

– aumenta o prazer e o bem-estar. A dopamina atinge o seu pico durante o beijo, sendo responsável também pelo desejo. Este hormônio estimula no cérebro os mesmos centros de prazer provocados pelas drogas, por isso beijar vicia.

– aumenta os batimentos cardíacos, reduz a pressão arterial e provoca um calor no corpo e  nas bochechas, como resultado da produção de epinefrina.

– aumenta o afeto e a confiança entre o casal, com a liberação de ocitocina, conhecido como hormônio do amor.

– aumenta a libido feminina, já que o intercâmbio de saliva entre o homem e a mulher vem carregado de testosterona, hormônio que eles produzem em uma escala cerca de 30 vezes maior do que a nossa. É considerado um afrodisíaco natural para as mulheres.

Bora beijar!

Brincadeiras à parte, escolhi falar sobre este tema aqui no blog por uma experiência pessoal. Não sei bem em qual momento do meu casamento paramos de nos beijar de língua. Confesso que sofri as consequências de ter abandonado ou não valorizado esse carinho. E descobri que muitos casais enfrentam esse mesmo problema, tão fácil de ser solucionado. A gente é que complica…

Foto: Freepik

Lucy De Miguel, editora da revista NA MOCHILA, jornalista especializada em primeira infância, mãe da Sabrina e do Tiago, publica neste coletivo todas as sextas-feiras.

Instagram: @lucycantero
Facebook: facebook.com/lucycantero

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