As artes, a cultura, o publico e as ruas

JOSÉ SIMÕES – É imperioso que as artes e os artistas busquem modos de se encontrar com o público. E como seria este caminho? Não se sabe. É preciso cria-lo.

O fato é que as Artes, a Cultura e as suas respectivas atividades precisam se reencontrar com o público e voltar a ter visibilidade na cidade. Sob o risco que este silêncio amplie, principalmente, no senso comum, a desimportância social destes ofícios.

E como não existem formulas prontas os caminhos a serem trilhados podem não ser novos. É preciso estar aberto a todas elas. Todavia todas as propostas devem ter como eixo o diálogo com publico, no contexto pandêmico vigente. Alguns artistas e grupos já estão fazendo isso. Uma vez que, esperar o “vai passar” é muito pouco. É preciso superar o imobilismo da espera. Nada “vai passar” num estalar de dedos. Nem com a vacina. Mal sabemos se depois desta pandemia outros vírus poderão surgir e assolar o mundo globalmente. Os tempos são outros. Este tempo é assim.

Não adiante chorar o leite derramado, numa cantilena suplicante, o estrago nos modos de socialização, fruição estética e produção envolvendo as artes e os espaços culturais foi avassalador e terrível. É preciso, portanto, agir.

Sim. Os teatros, as galerias, os museus precisam e podem ser reabertos. Reabertos no sentido de colocar a maquina artística para girar e funcionar no teatro-mundo. Abrir no sentido de tornar ativos e não reativos. É hora de propor.

Na Região metropolitana de Sorocaba a atividade artística chegou perto de zero. E as palavras: fechar, cortar, não-dá-para-fazer, não-é-prioridade, etc ganharam força entre os agentes políticos responsáveis pela gestão cultural dos municípios e até mesmo entre os artistas. É preciso alterar este léxico com palavra: abrir, fazer, produzir, trabalhar, construir, etc.

O agente publico responsável pela Cultura na região metropolitana de Sorocaba que for incapaz de criar caminhos deve ir para casa. Não se pode ter a tolerância do ano passado. Quem assumiu o papel de gestor municipal da cultura sabia de antemão qual o ambiente cultural que teria pela frente. Jamais poderá utilizar como desculpa a pandemia. Afinal ela já entre nós desde março de 2019.

Os artistas, pela natureza do seu trabalho, tem o olhar voltado para o mundo, para as coisas que acontecem ao seu redor, pois isso tudo o nutre nas dinâmicas de produção artística. A base da formação do artista é a sociedade que o cerca. Eis que nesse momento os artistas precisam, também, voltar este olhar para si e para a os meios de produção. Cuidar da criação, da produção, das relações com o publico com a mesma disposição que combatem as mazelas sociais.

Uma vez que as lacunas deixadas pela produção artística, no mundo do trabalho, estão sendo ocupadas por outras atividades. O mundo não para. É urgente que se pense em propostas e ações que contemplem a situação atual. É preciso que os artistas e artes saiam metaforicamente as ruas, conquistem as cidades e o seu publico. Este é o desafio deste tempo.

Que venha o 21!

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