O apocalipse está próximo!

LÚCIA HELENA DE CAMARGO –

Bem vindo ao final dos tempos! Para assistir a esta série, é preciso ter se preparado para esse evento.

Mas vamos ao começo. O anjo Aziraphale e o demônio Crowley convivem na Terra e se encontram ao longo dos séculos, participando de acontecimentos da história da humanidade. O objetivo é estar ali para tomar conta das coisas quando surgir o anticristo, que levará ao apocalipse, a guerra final do bem contra o mal. Essa premissa pauta “Good Omens”, série que acaba de estrear na plataforma Amazon Prime Video, o serviço de streaming do grupo de Jeff Bezos.

Quem já tiver acesso a esse serviço, assista. Assista já! Porque a série é deliciosa. Muitíssimo bem feita, com atuações impecáveis (David Tennant é o anjo,  David Tennant, o demônio) e produção pra lá de caprichada, tem roteiro escrito por Neil Gaiman e direção de Douglas Mackinnon, que comandou também episódios de “Doctor Who” e “Sherlock”. A atriz Frances McDormand interpreta um Deus impaciente; e Satã vem na voz poderosa de Benedict Cumberbatch. Jon Hamm (“Mad Men”) é o anjo Gabriel, que se tornou executivo no céu e pouco entende do que acontece no restante no universo.

A base para a história saiu do livro que Gaiman escreveu com Terry Pratchett (1948-2015), “Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch” (“Belas Maldições: As justas e precisas profecias de Agnes Nutter, bruxa”).

Dotada daquele humor britânico nonsense que se vê, por exemplo, nos filmes do grupo Monty Python, “Good Omens” é ao mesmo tempo refinada, inteligente e engraçada, muito engraçada. Cada cena contêm uma ironia, blague ou piada sobre as esquisitices da vida contemporânea, as manias e idiossincrasias dos humanos.

A dupla se conhece ainda no Jardim do Éden, quando Adão e Eva descobrem as alegrias e agruras envolvidas em comer a maçã. Crowley – anteriormente conhecido como Crawley (corruptela da palavra crawler, engatinhador) –, aliás, desempenha papel importante na ação, na pele da serpente que oferece o fruto proibido. Os preocupados com spoilers, relaxem, porque isso acontece logo nas primeiras cenas.

A dupla segue se encontrando por acaso em episódios como as cruzadas, as preparações para o dilúvio, a crucificação de Cristo. Os diálogos são excelentes. “O que ele fez, para ser pregado numa cruz?”, pergunta Crowley. “Disse para as pessoas serem gentis umas com as outras”, responde o anjo. E diante da arca de Noé, o demônio pergunta, espantado: “Mas até as crianças vão morrer afogadas?”

Há quem tenha enxergado um subtexto gay entre os protagonistas, mas como o cânone diz que anjos não têm sexo, podemos seguir achando que o que os une é apenas uma bela e sólida amizade, que atravessa os milênios. E sempre acaba em uma refeição, já que Aziraphale é gourmet assumido, capaz de correr o risco de ser guilhotinado ao visitar a França em busca de um bom crepe.  

A trama é unificada pelas profecias escritas pela bruxa Agnes Nutter, que preveem o momento exato dos acontecimentos. Sua descendente, Anathema (Adria Arjona), também tentará impedir o fim do mundo. No momento oportuno, chegarão os Quatro Cavaleiros do Apocalipse: a guerra, a fome, a poluição (a peste dos tempos atuais) e, claro, a morte.

Ainda: a trilha sonora é à base de canções do Queen. Fica difícil não gostar.

A série “Good Omens” tem apenas seis episódios, de cerca de uma hora cada. Caso você seja do tipo de pessoa pouco comedida, só comece a ver quando puder seguir assistindo a todos os demais, porque é bem difícil parar de ver.

Ao final é lançada uma isca para uma possível segunda temporada. Agora é torcer para ser grande o sucesso e Gaiman se animar a escrever mais uma.

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