Jessika Menkel – a dor de si e a dor dos outros

JOSÉ SIMÕES –  Hoje vou escrever acerca de um espetáculo carioca: o monólogo da  atriz sorocabana Jessika Menkel. Apesar de Sorocaba ser uma cidade de médio porte na comparação com as outras cidades brasileiras, no dia a dia muitos de nós gostamos de imaginar que ainda somos uma pequena cidade do interior, que conhecemos todas as pessoas ao nosso redor e temos tempo para tomar um café, prosear e perguntar do pai, da mãe e de toda a família. Enfim temos arraigado a noção interiorana, brigando para não sermos cidadãos metropolitanos, aqueles que são tomados pela velocidade, pela impessoalidade e pelo desconhecimento do outro.

Assim, nesse processo de identificação interiorana, sempre nos orgulhamos dos nossos. Dá uma baita alegria receber alguma notícia de alguém da terrinha, que se espalhou por este mundão de Deus, fazendo sucesso.  Como, por exemplo, a atriz e dramaturga sorocabana Jessika  Menkel (28), que faz sucesso no Rio de Janeiro com o espetáculo “Cálculo Ilógico”, direção de Daniel Herz.

O espetáculo  tem recebido críticas elogiosas na imprensa e, principalmente, do público que lotou o teatro. Não há melhor reconhecimento.

Em “Cálculo Ilógico”, a atriz retoma uma dor pessoal (a morte do irmão) e busca refletir acerca deste sofrimento por meio de fórmulas e cálculos. Um tema nada fácil.

Numa cidade de alma interiorana a dor de si é, também, a dor outro. (Susan Sontag  tem um belo ensaio sobre o tema que se chama “Diante da dor dos outros”.) Nada mais universal do que isso.

A atriz conta que buscou na matemática

“uma forma de contar a história da perda do meu irmão. Todo o mundo já perdeu alguém. Quis transformar dor em arte, ressignificar meu olhar para os acontecimentos da minha vida”

Na conversa pelo telefone, Jessika Menkel, que atualmente mora no Rio de Janeiro, diz: lá se vão 10 anos por aqui. (Pensei: mais uma sorocabana carioca ou sorocabana pelo mundo. Costumo brincar que não há um lugar no mundo em que não possamos encontrar um sorocabano. Se gritar “Sorocaba”, logo alguém responde.)

Ela me conta que um dos  primeiros contatos com o fazer teatral foi em Sorocaba na ETAC – escola de formação teatral criada por Tom Barros (que hoje não funciona mais).  Falou, também, com carinho do espetáculo que fez  nesta escola, “Quem Casa Quer Casa”, dirigido por Carlos Doles, e o modo como este momento foi importante para a escolha da carreira.

A ida para o Rio de Janeiro, certamente, não foi fácil e todo o processo contou com o apoio de Paulo Betti, principalmente nas tratativas familiares. Afinal não há família que não fique com o coração apertado quando a escolha do filho ou filha é pela profissão teatro. Sabem que não é nada fácil. E não é mesmo. Sair de casa também não é fácil.

No Rio, fez a formação em artes cênicas na CAL – Casa das Artes de Laranjeiras e desde então não parou mais. Na carreira, entre temporadas e festivais,  ganhou vários prêmios como atriz e, provavelmente, segundo relato de alguns amigos cariocas, com ” Cálculo Ilógico” não será diferente. Estão impressionados com a performance da atriz neste monólogo.

Quase ao final da conversa  conta que gostaria de ter estreado o espetáculo em Sorocaba. Mas não foi possível. Não havia datas disponíveis. Ela então organizou a estreia em São Paulo, pois gostaria que a família assistisse ao espetáculo. Afinal  se trata  de uma dor que atingiu a todos da família — a morte do irmão. Feito isso, pôde estrear no Rio.

A temporada no Rio de Janeiro acabou. Um nova temporada esta por vir. Jessika também começa  a pensar em viajar com a peça. Sorocaba esta nos seus planos. Seria bom que ela se apresentasse nos palcos sorocabanos. Afinal, sempre é bom poder voltar e rever os amigos “da terrinha”.

A atriz acaba de ser indicada ao premio CESGRANRIO de teatro nas categorias: Melhor Atriz e Melhor Texto

CALCULO ILÓGICO

Texto e atuação: Jéssika Menkel
Direção: Daniel Herz
Assistente de direção: Gabriela Checchia e Tiago Herz

Cenografia e figurino: Thanara Schonardie
Assistente cenário e figurino: Natália Fonseca
Iluminação: Aurélio de Simoni

Preparação vocal: Jane Celeste
Direção musical: Éric Camargo

Foto/Divulgação: Alberto Maurício

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