Em seu segundo aniversário, Terceira Margem lança movimento de protesto contra políticas negacionistas

José Carlos Fineis

Um laço de cetim preto, colado com fita dupla face, foi integrado ao alto-relevo do Monumento ao Bandeirante, localizado na chamada Praça da Canoa, na rua Salvador Corrêa, centro de Sorocaba.

Idealizado para homenagear os bandeirantes sorocabanos que desbravaram o centro-oeste brasileiro, o monumento ganhou, com esse pequeno adereço, um significado novo: passou a representar o luto coletivo pelas vítimas da covid-19 no Brasil.

Não muito distante dali, na praça defronte à estação rodoviária, um lacinho preto foi colado ao braço da criança que se debruça sobre o colo da mãe, na estátua do Monumento à Mãe Preta. Também este marco histórico está de luto.

Monumento à Mãe Preta

Indignação e inconformismo

A colocação de fitas pretas em monumentos é parte de uma mobilização que o Coletivo de Blogueiros Independentes Terceira Margem, de Sorocaba, idealizou para expressar indignação e inconformismo diante das políticas negacionistas de saúde, que levaram ao sacrifício de milhares de vidas desde o começo da pandemia de covid-19.

Cada pessoa pode se unir a essa ação, que não configura nenhuma forma de ilegalidade, uma vez que os laços não danificam nem sujam os monumentos. O Terceira Margem também convida as pessoas a usarem, elas próprias, um laço ou faixa no braço, em sinal de luto.

Estamos de luto pelo Brasil e em luta pelo Brasil. Sem prejuízo das petições eletrônicas e das manifestações nas redes sociais, entendemos que nossa indignação precisa ser externada com ações concretas, visíveis e palpáveis, que escapem ao universo virtual e invadam todos os espaços urbanos.

Desde sua criação há dois anos, Terceira Margem tem sido uma frente de defesa das liberdades e dos direitos civis, e não poderia ser diferente agora.

De natureza apartidária, porém sem receio de assumir posições que possam ser entendidas como “políticas”, o coletivo não poderia permanecer alheio ao negacionismo assassino das autoridades, marcado pelo desestímulo às medidas de proteção e pelo desprezo à ciência, que engendrou, entre outros efeitos desastrosos, um atraso fatal na aquisição de vacinas.

Foto principal: Monumento ao Bandeirante, no centro de Sorocaba.
Fotos: José Carlos Fineis

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