Sente, tire os sapatos e, sem pressa, pegue um café

MARCO MERGUIZZO – Como um bom anfitrião costuma fazer quando recebe em casa amigos e pessoas queridas – com um cafezinho tirado na hora ou, melhor, feito no coador de pano como nossas avós faziam antigamente no fogão de lenha -, pegue uma xícara, sirva-se à vontade e seja bem-vindo ao blog Aquele Sabor que Me Emociona e ao coletivo Terceira Margem.

Em meio a um timaço de blogueiros independentes integrado por professores, poetas, autores, atores e especialistas em vários assuntos e liderado pelo amigo e jornalista José Fineis – este que vos escreve se propõe a fazer deste espaço um ponto de encontro democrático para saborear, sem esnobismos e chatices, comidas, cafés, vinhos, cervejas especiais e todo tipo de experiência à mesa que de algum modo se torna inesquecível pra gente.

No caldeirão de aromas e sabores deste blog, colocaremos de tudo um pouco. E, na receita de cada post, muita informação e dicas exclusivas temperadas com opiniões criteriosas e doses extras de isenção, como reza, por sinal, o bom jornalismo. Portanto, bons goles e boas garfadas não faltarão por aqui.

E para darmos o pontapé inicial a essa nossa nova jornada hedonista nada como um bom pretinho, a bebida mais consumida do mundo e a predileta de nove entre dez brasileiros. Mas como você vai querer saboreá-lo? Na xícara de porcelana ou no copo americano como a foto aí de cima? Mais forte ou fraco, o chamado “chafé”? Puro ou pingado com leite? Qual é, afinal, sua preferência e a melhor lembrança desses momentos tão reconfortantes do nosso dia do dia?

Assim como outros sabores que despertam paixões, o café é aquele tipo de alimento que nos traz aconchego, mexe com a nossa memória afetiva, acariciando e aquecendo o espírito. Aquele cheirinho que vem sorrateiro da cozinha e invade os outros cômodos da casa, nos trazendo a sensação de bem-estar, de sermos cuidados e de estarmos permanentemente conectados às nossas raízes.

Para se tirar o melhor de um café de coador, assim como o de outros métodos caseiros, caso do filtro de papel – a moagem dos grãos (sim, um dos segredos de um bom cafezinho é moer os grãos em casa, em vez de utilizar o pó de café tradicional, portanto, saia já da sua zona de conforto) deve ser feita na hora e a temperatura da água (mineral, de preferência), já que a qualidade desta afeta diretamente o resultado final da bebida.

Muito “entendedor de café” acha erroneamente que a água não deve atingir o ponto de fervura como o chá – nada mais equivocado, já que ela deve atingir entre 94º C e 96º C. A explicação é a seguinte: vários componentes do aroma e do sabor do café precisam de alta temperatura para serem dissolvidos. O crítico sobre o tempo de fervura é a ebulição longa que elimina o oxigênio que está na água, e cuja falta será sentida pelos componentes aromáticos do café. Ou seja, ao adotar esses procedimentos simples é possível desfrutar tudo o que um cafezinho pode oferecer de melhor.

Um bom café de coador precisa, no entanto, muito mais do que água de boa qualidade e preparo correto. Os grãos devem ter procedência, serem selecionados e usados a partir de blendeds (mistura de grãos) mais adequados.

Um café para ser considerado “gourmet”, ou especial, segue uma série de padrões diferenciados durante a produção que vai desde o tipo de solo, variedade dos grãos e métodos de cultivo, incluindo os cada vez mais valorizados cafés orgânicos e biodinâmicos, e cujos diferenciais são perceptíveis numa degustação.

A moagem artesanal, feita em casa e na hora, também é crucial para se tirar o melhor dessa apreciada infusão. Com isso, o sabor, o corpo e o aroma do cafezinho se tornam incomparáveis.

Moer na hora os grãos de café é um dos segredos para se tirar em casa o melhor
de um bom pretinho (Fotos: Marco Merguizzo e Arquivo)

Acha tudo isso muito complicado, trabalhoso e que eu estou “viajando” na xícara? Pois bem, tire a prova dos nove você mesmo. Na próxima vez que fizer café em casa, siga estas dicas de preparo e constate a diferença no paladar.

Melhor: ao resgatar o ritual do café de coador, uma espécie de culto ao passado, e o próprio ato de sentir os aromas, o gosto e as sutilezas do seu preparo, redescubra o valor desses momentos que podem ser prazerosos, além de divertidos e restauradores. Se possível, desfrute dessa bebida quente e fumegante, ouvindo uma boa música, sem nenhuma pressa, longe portanto de celulares e outras “bolhas” da vida moderna.

Afinal, arranjar tempo para saborear e curtir um bom cafezinho é por vezes a forma mais simples de tornar o nosso dia a dia muito menos chato e estressante, não é mesmo? O paladar e o nosso estado de alma vão agradecer por certo.

(*)  MARCO MERGUIZZO é
jornalista profissional
especializado em
gastronomia, vinhos,
viagens
e outras
coisas boas da vida.
Escreve neste coletivo
toda segunda-feira.
Me acompanhe também
no Instagram, acessando
@marcomerguizzo
#blogaquelesaborquemeemociona

CAFÉ PARA OUVIR E CURTIR:

The Coffee Song (Frank Sinatra)
Café (Jorge Benjor)
One More Cup of Coffee (Bob Dylan)

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